Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Participação política

Militares, Estado e governo: a questão já está superada no resto do mundo

Estamos a alguns anos-luz da mencionada ordem social, mas é bom saber que generais não tiram o uniforme, mesmo quando, interinamente e inadvertidamente, ocupam governos!

Publicado em 16 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 jul 2020 às 05:00
Danilo Carneiro

Colunista

Danilo Carneiro

Presidente tentou cumprimentar militares, mas recebeu cotovelos como resposta
Estimativa indica que existam mais de 2.900 integrantes das Forças Armadas nos três Poderes Crédito: Marcos Corrêa/PR/Arquivo
Sigam-me os que forem brasileiros! Foi a frase do grande marquês de Caxias. Fico imaginando o que diria o nosso duque/patrono ao observar a cenário atual. As instituições são decantadas e tendem a ser aprimoradas com a passagem do tempo. Nas democracias consolidadas, o papel dos militares está muito bem delineado e a questão já não é “um tema”.
Aqui, o assunto retornou de forma aguda e já causa turbulência – não bastassem os efeitos da pandemia. Sem fazer juízo de valor (ainda), os dados mostram que temos dez ministros militares e 250 cargos comissionados ocupados por militares (nos ministérios).
Há uma estimativa de que existem mais de 2.900 integrantes das Forças Armadas cedidos aos Três Poderes. Dentre eles, aproximadamente 92,6% estão no Executivo e 7,2% estão no Judiciário. As Forças Armadas levaram 35 anos, de trabalho exemplar, para remoldurar a sua imagem e trazer de volta a admiração e a confiança da enorme maioria dos brasileiros. Conseguiram porque mantiveram as atenções voltados para o “Estado” brasileiro e permaneceram no seu “quadrado” constitucional.
Não se permitiram capturar por governos! Isto nem deveria ser necessário explicar. Mas já que precisa, nada melhor do que o chefe do Estado-maior das Forças Armadas nos EUA, general Mark Miller, ao se desculpar por ter caminhado uniformizado ao lado de Trump em um dia de protestos naquele país. Disse o general: “Eu não deveria ter estado lá. Minha presença naquele momento e naquele ambiente criou a percepção de envolvimento de militares em política doméstica. Como oficial da ativa, foi um erro com o qual aprendi e sinceramente espero que nós possamos aprender com ele”. Que aula!
Vale por 100 livros de Direito Constitucional e de Ciência Política. Militares e Civis, não por acaso, têm regimes jurídicos distintos. A desobediência civil costuma ter consequências muito diferentes da desobediência militar. Então, não dá para dizer que ao ocupar um cargo comissionado “político” um militar da ativa possa ser equiparado a um civil. É preciso que os membros das instituições apreendam o conceito de Accountability.
O professor João Cordeiro conta sobre a estudante brasileira que foi fazer intercâmbio em uma escola pública da Nova Zelândia. O uniforme escolar era: sapato social, meia ¾, saia xadrez dois dedos acima do joelho, camisa social por dentro da saia e uma gravatinha. Finda a aula, ao sair da escola, a estudante baixou a meia, puxou a camisa de dentro da saia, retirou a gravatinha e guardou na mochila.
Durante o trajeto para casa, a moça foi interrompida por uma viatura da polícia e seguiu-se o diálogo: Aonde você vai?, perguntou o policial. "Estou indo para casa", disse ela; "Mas assim?", retrucou o policial. "É que a aula já acabou", insistiu a estudante. "A aula acabou, mas você representa uma instituição muito importante na nossa cidade".
A moça foi colocada na viatura e levada até a sua host family para notificar o ocorrido. Depois de tentar explicar o “descuido” com o uniforme, utilizando-se do “estrangeirismo” e da “brasilidade” da estudante, a dona da casa ouviu que pouco importava de onde veio a menina, desde que respeitasse a “instituição local que representa”. Estamos a alguns anos-luz da mencionada ordem social, mas é bom saber que generais não tiram o uniforme, mesmo quando, interinamente e inadvertidamente, ocupam governos!

Danilo Carneiro

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Romo, México
México derrota a Coreia e garante classificação na Copa do Mundo
Justiça
Júri decide que morte de bebê no ES com golpe de tesoura não foi intencional
Pescador de Conceição da Barra desaparece de barco em alto-mar

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados