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Brasil

A nação progrediu e o Estado regrediu: a imperfeita democracia brasileira

A crise de representação é o eixo da imperfeição da democracia brasileira. Ela bloqueia o avanço de uma cultura política de forte consciência cívica e de alta capacidade de cooperação entre os cidadãos

Públicado em 

05 set 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Um homem aponta para o caminho que leva a democracia
A evolução da cultura política é travada pela baixa qualidade do funcionamento do Estado. E isso embaça a democracia Crédito: Arabson
No Brasil, a nação progrediu e o Estado regrediu. O atraso do Estado impede a prosperidade. Este é o nosso dilema político- institucional. Resulta daí que somos uma “democracia imperfeita”. É assim que o Índice de Democracia da revista "The Economist" configura o Brasil. Em 2019, estávamos em 52º lugar entre 167 países.
Agora, o Datafolha apurou que 75% dos brasileiros concordam que “a democracia é sempre a melhor forma de governo”. Desde as “diretas já”, nos anos 1980, o brasileiro ampliou sua participação política e intensificou sua defesa das liberdades civis. No Índice de Democracia do Brasil – da Economist - os quesitos “liberdade civil”; “processo eleitoral” e “participação política” são melhores do que os quesitos “funcionamento do governo” e “cultura política”. Refletem a nação na frente do Estado. Mostram uma desconexão entre a atitude pro democracia e o descontentamento com o funcionamento do Estado e da representação política.
A crise de representação é o eixo da imperfeição da democracia brasileira. Ela bloqueia o avanço de uma cultura política de forte consciência cívica e de alta capacidade de cooperação entre os cidadãos. Apesar da boa participação política, a evolução da cultura política é travada pela baixa qualidade do funcionamento do Estado. Esta contradição é o germe do autoritarismo. Embaça a democracia, que não é vista como meio de prosperidade.
Mas a nação está viva. Desde 2013, esta movimentação da sociedade conjuga a aprovação da democracia com o crescimento de uma mentalidade de empreendedorismo na base da sociedade. Uma grande parcela da sociedade arregaça as mangas e vai à luta. É o ethos da livre iniciativa. Que pede liberdade.
O nosso sistema de pesos e contrapesos está contendo os ataques autoritários do presidente Bolsonaro. O Congresso e o Supremo colocam os freios. Os movimentos cívicos têm voltado a atuar em defesa da democracia. Mas os partidos precisam de um realinhamento partidário, para voltarem a ter protagonismo na rede de guardiões da democracia.
Eles são importantes para melhorar a inteligência política e “recentralizar” o sistema político, para além desta polarização entre os extremos que embrulha o país num jogo em que todos perdem. É fundamental que os partidos, os movimentos cívicos, as lideranças empresariais e os meios de comunicação superem as diferenças de varejo e aceitem construir uma coalizão que articule conservadores, moderados e progressistas no campo da recentralização democrática da política. O reencontro do Estado com a Nação.
Uma incógnita nesta equação permanece sendo a atitude de isolamento político de Lula. Para onde vai o lulismo? Este não é um problema político trivial. Mobiliza 30% da sociedade. E dificulta a mudança do clima de desorientação política do país. É possível construir um eixo?

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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