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Educar para prosperar

Novo ensino médio deve alavancar a produtividade do país

A educação, sem dúvida, é o melhor caminho para a transformação do indivíduo e da nação

Publicado em 29 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 nov 2020 às 05:00
Léo de Castro

Colunista

Léo de Castro

Quadro negro
Reforma do Ensino Médio traz mudanças relevantes como o aumento da carga horária mínima Crédito: Dragana_Gordic/Freepik
Uma educação de qualidade é essencial para o país avançar em sua agenda de produtividade, um dos nossos maiores desafios. No ranking do Fórum Econômico Mundial de 2019, estamos em 71º lugar entre 141 países, atrás de nações como Chile (33º), México (46º) e Uruguai (54º). Com efeito, precisamos implantar com urgência o Novo Ensino Médio, previsto na Lei 13.415/17, que altera a LDB, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Qual é a nossa realidade hoje? No Brasil, 22,1% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam e nem trabalham, segundo dados do IBGE, de 2019. Isso representa um exército de 11 milhões de pessoas, equivalente à população de Portugal. É a chamada geração “nem-nem”. No Espírito Santo, o índice é de 18%.
Na prática, significa que aproximadamente um em cada cinco jovens está fora do mercado de trabalho e sem perspectivas de futuro, muitos em situação de vulnerabilidade social. Vamos abrir mão dessa geração? Quantos talentos estaremos desperdiçando? Isso tem impacto direto na produtividade do país.
Com a reforma do Ensino Médio, contudo, o Brasil dá um passo adiante nessa questão. A Lei introduziu mudanças relevantes como o aumento da carga horária mínima, a ampliação das escolas de tempo integral e o aumento do protagonismo do estudante, com a possibilidade de ele escolher caminhos de aprofundamento de seus estudos. A Lei prevê, nesse contexto, os chamados Itinerários Formativos, a Formação Técnica e Profissional.
Recente publicação divulgada pela OCDE, através da Education at a Glance 2019, indica que países que compõem esse bloco econômico têm um percentual de 40% dos concluintes do Ensino Médio oriundos desse modelo de ensino. Na Alemanha, esse índice é 48%. No Brasil, apenas 8%. Não é preciso ser especialista no assunto para perceber quem está no caminho certo.
Outro fator indicado nessa publicação aponta que o desempenho dos alunos do ensino técnico é melhor no Pisa, nas áreas de ciências e matemática, do que o dos demais alunos. Ou seja, há uma clara conjunção de fatores que sinalizam a ampla possibilidade de progresso na educação a partir das inovações trazidas pela reforma.
A baixa qualidade histórica da educação ofertada até aqui, que se apresentava em evidente crise, provocava uma evasão escolar da ordem de 41% dos estudantes, além de impactar na própria capacidade de aprendizagem de disciplinas básicas como Português e Matemática.
A ausência de uma estrutura educacional que conseguisse dialogar com as expectativas e esperanças dos jovens e que os preparasse para o trabalho e para o pleno desenvolvimento das relações sociais são, sem dúvida, elementos que contribuíram decisivamente para o fraco desempenho do país até o momento. A escola deve proporcionar um ambiente de desenvolvimento pleno das potencialidades dos estudantes.
O jovem percebe quando algo não irá transformá-lo positivamente. Assim, é importante pontuar que os desempenhos precários indicam mais uma estrutura ultrapassada do que, propriamente, a capacidade e potencialidade dos jovens que se encontravam submetidos a essa estrutura. Daí a necessidade da reformulação.
Importante ressaltar que a formação profissionalizante tem a vantagem de ser mais atrativa para o jovem, reduzindo a evasão escolar e atenuando o drama dos “nem-nem”, além do impacto positivo na produtividade do país. No Espírito Santo, temos o exemplo da Findes, que, por meio de sua estrutura de formação educacional, composta pela rede Sesi/Senai, adotou esse modelo em janeiro de 2018, contando com expertise tanto na educação básica quanto na formação técnica e profissionalizante.
Neste momento, na gestão da presidente Cris Samorini na Findes, a rede Sesi/Senai está firmando uma parceria com o governo estadual, para operar o novo ensino médio em 10 municípios, escolhidos pelo governo. Será um passo importante para melhorar a formação dos jovens do Espírito Santo, possibilitando uma ligação direta do estudante com o mercado de trabalho, facilitando a sua inserção no mercado.
A implantação do novo Ensino Médio é um desafio nacional, que deve contar com o engajamento de todos, dos governos estaduais, do setor produtivo e da sociedade. A educação, sem dúvida, é o melhor caminho para a transformação do indivíduo e da nação, que todos desejamos próspera e desenvolvida, com oportunidade de um futuro melhor para a juventude.

Léo de Castro

Empresário, vice-presidente da CNI e presidente do Copin (Conselho de Politica Industrial da CNI). Foi presidente da Findes. Neste espaço, aborda economia, inovação, infraestrutura e ambiente de negócios

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