"Estou mais otimista hoje do que estava há seis meses", afirmou Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos na América Latina, sobre o investimento bilionário (algo perto de R$ 4 bilhões) em um Laminador de Tiras a Frio e em uma linha de galvanizados que o conglomerado quer fazer na unidade de Tubarão. "O governo federal vem tomando iniciativas importantes para combater a entrada predatória de aço importado no Brasil. Esperamos que essas medidas comecem a impactar mais o volume de importados a partir de agora, no segundo trimestre. Isso vai ao encontro do projeto que estamos estudando para a ArcelorMittal Tubarão".
A fala se deu na sequência da apresentação dos resultados de 2025 da ArcelorMittal Brasil, nesta quinta-feira (30). "As importações predatórias, sobretudo da China, e as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos afetaram os resultados financeiros e operacionais da organização e de todo o setor do aço brasileiro", informou a companhia. A produção total de aço foi de 15,14 milhões de toneladas, recuo de 1,3% em relação a 2024. O volume de vendas de aço atingiu 14,9 milhões de toneladas, com queda de 1,9%. O impacto maior veio no faturamento. A receita líquida consolidada somou R$ 61,76 bilhões, recuo de 7,2%. O ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 8,08 bilhões em 2025, queda de 12% na comparação com 2024. O resultado final da ArcelorMittal Brasil foi negativo em R$ 2,2 bilhões (a compra da Votorantim Siderurgia, por R$ 2,9 bi, entrou na conta).
As tarifas de 50% impostas ao aço pelos Estados Unidos afetaram a rentabilidade da empresa. Para continuar vendendo no mercado norte-americano, a ArcelorMittal teve que assimilar parte das tarifas, impactando negativamente os resultados, principalmente no segmento de aços planos. Importante lembrar que a maior usina de aços planos da companhia fica em Tubarão.
Sobre a importação considerada predatória, os dados são os seguintes, de acordo com o Instituto Aço Brasil: a entrada de laminados atingiu 5,7 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 20,5% ante 2024. Se comparado à média anual de 2000 a 2019, alta de 160%. O aço proveniente principalmente da China chega ao mercado brasileiro fortemente subsidiado. "Não somos contra importação, contra a concorrência externa, mas somos contra a ação predatória, que é o que está acontecendo. É algo insustentável. Acredito que teremos uma melhora de cenário a partir de agora", disse Oliveira. "Temos alta demanda por laminados e galvanizados, no Espírito Santo e no Brasil. Veja que a GWM anunciou a instalação de uma planta no Estado, mas a conta precisa ficar de pé. Isso só acontecerá com a redução das importações".
A resposta final sobre o investimento em Tubarão deve sair até o terceiro trimestre. "Tudo está sendo estudado e todas as variáveis analisadas. Pode ser que comecemos com uma capacidade menor que a estimada lá atrás, mas estou mais otimista", finalizou Oliveira.
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