Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Museu do Amanhã

A arte como bússola em tempos de colapso

A arte e a espiritualidade, ao tocarem as emoções, são essenciais para impulsionar as transformações profundas que a humanidade precisa abraçar.”

Publicado em 03 de Agosto de 2025 às 01:58

Públicado em 

03 ago 2025 às 01:58
Isabela Castello

Colunista

Isabela Castello Isabela Castello
Museu do Amanhã
Trabalhos se apresentam como bússolas, como alertas — e, talvez, como sementes de um futuro possível Crédito: Divulgação
Participei da abertura de três belíssimas exposições do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro: "Claudia Andujar e seu Universo: Sustentabilildade, Ciência e Espiritualidade", "Água Pantanal Fogo" e "Tromba D’Água".
As exposições abrem o projeto Esquenta COP, que propõe trazer as temáticas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP) para o grande público que visita o museu. Três exposições lindas, que me comoveram e me emocionaram profundamente, cheias de beleza, mas sobretudo de denúncias, provocações, inquietações.
A arte tem esse poder de nos tocar num lugar diferente, de nos deslocar, de nos atravessar. Em tempos em que o amanhã parece incerto, esses trabalhos se apresentam como bússolas, como alertas — e, talvez, como sementes de um futuro possível.
Museu do Amanhã
“Claudia Andujar e seu universo” é o destaque da Ocupação Esquenta COP Crédito: Divulgação
Conversei com os curadores dessas exposições - Paulo Herkenhoff, Eder Chiodetto, Ana Carla Soler, Francela Carrera - com o curador do Museu, Fabio Scarano, e com o diretor executivo, Cristiano Vasconcelos, para entender os caminhos e o papel da arte no enfrentamento das mudanças climáticas.
Os primeiros alertas dos cientistas sobre as mudanças climáticas datam de 1972, quando aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo, marcando o início de uma agenda internacional para a preservação do meio ambiente. Após 53 anos, inúmeros outros alertas e conferências realizadas pelos líderes mundiais não foram suficientes para evitar a crise climática que estamos enfrentando atualmente.
Para Fabio, Scarano, “a ciência moderna não basta para reverter os rumos cada vez mais preocupantes que o mundo tem tomado. Em um mundo em estado de policrise, não há conhecimento do qual se possa abrir mão, desde que seja democrático e amoroso. A arte e a espiritualidade, ao tocarem as emoções, são essenciais para impulsionar as transformações profundas que a humanidade precisa abraçar.”
“Claudia Andujar e seu universo” é o destaque da Ocupação Esquenta COP.
Museu do Amanhã
Mostra traz 130 obras da suíça naturalizada brasileira e peças de 40 artistas que se relacionam com seu trabalho Crédito: Divulgação
Com 130 obras da suíça naturalizada brasileira e peças de 40 artistas que se relacionam com seu trabalho, a mostra é uma celebração ao legado da artista, hoje com 94 anos. A exposição se organiza em torno de eixos como sustentabilidade, ciência e espiritualidade — temas que parecem ganhar novas camadas de urgência diante do colapso climático.
Para o capixaba Paulo Herkenhoff, curador da exposição, “Claudia Andujar colocou sua câmera a serviço da natureza. Sua produção fotográfica denunciou o genocídio dos povos indígenas da América do Sul, a espoliação das terras e dos saberes indígenas, o garimpo ilegal, o envenenamento dos rios amazônico pelo uso do mercúrio.”
Diante das crises ambientais, das ameaças constantes aos povos originários e do avanço da destruição sobre os biomas brasileiros, o trabalho de Andujar ressurge como uma espécie de guia. Um lembrete de que a arte pode ser, sim, uma forma de cuidado e enfrentamento.
Para Herkenhoff, “os problemas climáticos - alguns deles - são imperdoáveis. E a Cláudia não perdoa. Eu uso a expressão ira cívica. Mas acho que no caso dela, é fúria cívica. A fotografia dela tem relações de antítese. De repente, a câmera dela pode ser uma bomba atômica, sobre as questões que afetam o Brasil, os indígenas, as invasões dos territórios dos povos originários. Muitas vezes, a fotografia dela é como se fosse um seio materno, com enorme afetividade pelo outro".
Museu do Amanhã
A arte pode ser, sim, uma forma de cuidado e enfrentamento Crédito: Divulgação
Para Fabio Scarano, “a obra de Claudia Andujar promove esses encontros, tão necessários quanto inusitados: da informação com a emoção, do ancestral com o moderno, do sacro com o transgressor, do sul com o norte, do visível com o invisível.”
Ao entrar na exposição, é impossível não sentir que estamos diante de algo mais do que fotografias: estamos diante de um modo de ver o mundo. "Claudia Andujar e seu Universo" é, no fim, uma convocação. Não apenas a ver, mas a sentir. A não esquecer. A lembrar que, diante do colapso climático e cultural, a arte pode — e talvez deva — assumir o papel de resistência.
Ao sair da exposição, uma pergunta ecoa: que tipo de mundo estamos escolhendo deixar para existir? Claudia Andujar nos oferece mais do que imagens — ela nos oferece uma forma de não esquecer, de não nos calarmos, de continuarmos olhando. E talvez isso seja, sim, uma das formas mais potentes de futuro.
As exposições Água Pantanal Fogo e Tromba D’Água serão objeto de futuras edições da coluna.

Isabela Castello

Isabela Castello Isabela Castello

Isabela Castello, administradora e designer, é apaixonada pelo universo criativo e pela natureza. Escreve sobre criatividade e a economia criativa com ênfase nos conteúdos sobre arte e design autoral.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Gabriel Lopes de Souza, de 29 anos, Clismam de Lima Ribeiro, de 36 anos, Marcos Carvalho Santos, de 37 anos, estão presos suspeitos de roubarem uma empresa de logística em Viana (da esquerda para a direita); o último não foi identificado e está foragido
Polícia revela detalhes de roubo de R$ 390 mil em empresa de logística no ES
Imagem de destaque
Vitamina proteica caseira: 3 receitas fáceis e saudáveis para o lanche da tarde
Novo medicamento contra o vírus HIV
SUS amplia opções de tratamento para pessoas vivendo com HIV

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados