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Novo secretário de Justiça

Mensagem a André Garcia, ou melhor, a Rafael Pacheco

Pacheco, se for “escolado” como parece, vai radicalizar o que seu antecessor vinha fazendo na Sejus: cercar-se de auxiliares os mais competentes, os mais experientes e, acima de tudo, os mais confiáveis disponíveis

Publicado em 04 de Fevereiro de 2024 às 01:40

Públicado em 

04 fev 2024 às 01:40
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff Henrique Herkenhoff
Rafael Pacheco, novo secretário de Estado da Justiça
Rafael Pacheco, novo secretário de Estado da Justiça Crédito: Divulgação
Eis que o cenário político-administrativo da segurança pública é novamente sacudido com a notícia da saída de outro secretário, desta vez o de Justiça. Embora seja uma pasta com baixa visibilidade, a situação traz mais desafios e complicações, e nisso não vai nenhuma crítica ao substituto anunciado em caráter definitivo.
A Sesp é uma estrutura relativamente pequena. Grandes são as corporações que ficam sob o seu guarda-chuva. Acontece que a Polícia Militar já está em contagem regressiva para completar 200 anos: é uma instituição madura, experiente, com uma estrutura capaz de resistir a todo tipo de intempérie. O Corpo de Bombeiros Militar teve criação formal muito mais recente (1997), mas, na verdade, já existia uma estrutura dentro da PM com as mesmas atribuições. Já a Polícia Civil que aí está é, a rigor, uma criação da Constituição de 1988, embora já existisse algo bem diferente com o mesmo nome; ainda assim são respeitáveis 35 anos de consolidação que, além disso, não começaram do zero.
Já a Polícia Penal mal acabou de ser formalizada em lei. Não se “cria” uma instituição com uma canetada e, mesmo em termos de regras, ainda há muito a ser estabelecido, comunicado, treinado, padronizado etc.
Outro ponto importante é que as polícias entregam as pessoas presas logo após a lavratura do flagrante ou do cumprimento do mandado. Não ficam, portanto, com o excesso de população encarcerada para gerenciar. A bomba cai no colo da Sejus/Polícia Penal.
E, por falar nisso, André Garcia vinha silenciosamente desmontando uma gigantesca bomba-relógio sobre a qual andamos, aqui nesta coluna, advertindo a população distraída. Para isso ele tratou de voltar às boas práticas de meritocracia, contando, entre outros, com o auxílio de Rafael Pacheco, o seu substituto, que atuava na área de inteligência.
Data: 30/11/2018 - André Garcia, ex-secretário de segurança do Estado
André Garcia Crédito: Arquivo/AG
Como foi divulgado aqui neste veículo, trata-se de um policial federal com larga folha de serviços prestados e muita experiência, embora nem tanta nesta área específica da gestão prisional. A seu favor tem, ainda, o entrosamento com outro ex-secretário de Justiça. Mas, claro, prender e manter preso são duas tarefas muito, mas muito diferentes.
Tudo isso implica maiores riscos para o novo gestor. Garcia segue para um novo posto, conquistado por merecimento próprio e deixa em seu lugar alguém entrosado com seu modo de administrar, mas não será apenas uma passagem de bastão. Pacheco, se for “escolado” como parece, vai radicalizar o que seu antecessor vinha fazendo: cercar-se de auxiliares os mais competentes, os mais experientes e, acima de tudo, os mais confiáveis disponíveis, porque na Sejus tudo balança o tempo inteiro, tem dia que precisa matar dois leões com uma bala só, e na hora do “vamos ver” é que saberemos com quem ele pode contar.

Henrique Herkenhoff

Henrique Herkenhoff Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

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