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Desmantelamento do país

Precisamos de mais livros e menos armas, por favor!

Há um claro compromisso do atual desgoverno com o desmantelamento do ensino e da saúde em detrimento do militarismo, que não elimina a violência, não melhora a qualidade de vida, não diminui o tráfico, não diminui a pobreza e o desemprego

Públicado em 

31 ago 2020 às 05:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Livros contribuem para a formação cultural da população
Atual governo pretende taxar o comércio de livros, alegando ser um produto das elites Crédito: Pixabay
“Ele não se presta a nada. Ele não presta pra nada. Ele não presta. Ele não” (Não. Elegia do Corona: versos pandêmicos. Carlos Fonseca)
O antigoverno do presidente cloroquina se prepara para enviar ao Congresso um plano orçamentário para 2021 prevendo recursos de quase R$ 108 bilhões para o Ministério da Defesa comandado pelo general Fernando Azevedo e Silva, muito maior do que os atuais R$ 73 bilhões de 2020, e superior aos cerca de R$ 103 bilhões destinados à Educação, valor inferior ao deste ano.
Como se não bastasse tamanho descalabro, o ministro do Posto Ipiranga do atual desgoverno pretende taxar o comércio de livros, alegando ser esse um produto das elites e, ainda mais, acabar com o programa “Farmácia Popular”, que custa R$ 2 bilhões ao governo e atende a milhares de pessoas com diabete, hipertensão e outras enfermidades. É muita maldade junta!
Há um claro compromisso do atual desgoverno com o desmantelamento do ensino e da saúde em nosso país em detrimento do militarismo. Como se não bastasse ter enchido a gestão pública de militares aposentados, a proposta de orçamento retira R$ 55 milhões da Educação para pagar aos oficiais que atuarão no programa de consolidação das escolas militares, a menina dos olhos do atual presidente.
Lamentavelmente, a militarização do Brasil não elimina a violência, não melhora a qualidade de vida das pessoas, não diminui o tráfico de drogas, não contribui com a diminuição da pobreza e do desemprego, com a miséria a cada dia maior espalhada nas ruas e nas praças de nossas cidades.
Não existe saída fora da educação. Japão, Alemanha, Coreia, Canadá, Austrália e todos os países que chegaram ao topo do desenvolvimento econômico e social, o fizeram investindo maciçamente em educação. Precisamos melhorar e aperfeiçoar o ensino fundamental e médio e manter o que já conseguimos de qualidade no ensino superior. Não é desmantelando as universidades, cortando-lhes verbas de manutenção e de custeio e transferindo-as para as casernas e recursos bélicos que se melhorará o nosso país.
As vacinas e todo o progresso técnico e científico saíram de nossos laboratórios e de nossas pesquisas oriundas nas universidades. Sem elas, não existiria o agronegócio e as altas safras obtidas anualmente, cujos recursos, infelizmente, ficam nas mãos de poucos. Não por acaso, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo.
Cabe ao Congresso Nacional impedir esse absurdo. O Brasil não pode aceitar, passivamente, as ações de um presidente sem empatia, sem cultura, sem educação, sem valores éticos e morais, que só pensa em si e em sua classe, pouco se lixando para as quase 120 mil vítimas da Covid-19 e para a maioria da população brasileira, mesmo aqueles que, enviseirados, o chamam de mito, o acham o político mais simpático do Brasil e prometem reelegê-lo, apesar de tudo.
Afinal, como disse Xico Sá, “O problema nunca foi o Bolsonaro, político incompetente, grosseirão e incompetente há 30 anos. Quem representa o atraso e a destruição do Brasil é quem acredita nele”.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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