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É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade. Escreve quinzenalmente, às sextas-feiras

O devaneio de Cariê Lindenberg para a propaganda capixaba

Passado quase um mês do falecimento de Cariê, faço aqui meu registro e homenagem ao empresário da comunicação capixaba e ao músico da bossa nova

Publicado em 23/04/2021 às 02h00
Ilustração de Cariê Lindenberg feita por Zota
Ilustração de Cariê Lindenberg feita por Zota. Crédito: Zota

Passado quase um mês do falecimento de Cariê Lindenberg, faço aqui meu registro e homenagem ao empresário da comunicação capixaba e ao músico da bossa nova. Conheci Cariê em 1985 numa viagem a Goiânia, quando fomos jurados do Prêmio Profissionais do Ano, da Rede Globo. Confesso que pouco sabia sobre ele, mas o suficiente para saber que era “o dono da Gazeta”.

Era minha primeira viagem para participar de um evento nacional do meio publicitário. Na época tinha 24 anos, recém-formado em Comunicação Social pela Ufes, conhecia apenas algumas pessoas do meio e fiquei muito impressionado como todos os profissionais de outros mercados se referiam a ele: Cariê simplesmente predominava, sem fazer qualquer esforço ou querer dominar a cena.

De lá pra cá se passaram 36 anos. Foi um convívio respeitoso, discreto e distante. Como líder sindical patronal da publicidade do Espírito Santo por muitos anos, fui obrigado a ter alguns embates com a Rede Gazeta, o que num primeiro momento pode ter dificultado nosso relacionamento profissional e pessoal, mas depois, com o passar do tempo, tenho certeza, nos aproximou bastante. Estou falando da época de Xerxes Gusmão Neto, Plínio Marchini e Heitor Nogueira. Digo isso porque a adversidade nos aproximou.

Mesmo depois quando Café já estava no comando da Rede Gazeta, Cariê ainda era muito zeloso com os negócios e principalmente com o Jornal A Gazeta. Não consigo contar as vezes em que ele ligou para sondar sobre o desempenho dos seus diretores, para confirmar alguma informação sobre o mercado ou mesmo para perguntar algo que havia ficado no passado sobre a publicidade. Curiosamente nunca falamos de negócios, exceto quando me apresentou o saudoso Hélio Mendonça.

O tempo passou e, em novembro de 2005, em sua sala, nos reunimos para dar continuidade ao projeto de registrar em livro histórias sobre a atividade profissional da publicidade no Espírito Santo. Uma ideia que havia sido lançada na Confraria da Mãe Joana, por Antonio Carlos Barbieri e Álvaro Nazareth. E lá formamos uma comissão composta por mim, Barbieri, Cacau, Maely, Calazans e o próprio Cariê. O projeto do livro foi ficando pelo caminho e só foi retomado em 2012 por mim, Barbieri e Maely.

Em 2014 conseguimos publicá-lo com ilustrações do Zota e depoimentos de diversos profissionais. E, dentre eles, abrindo o livro, o depoimento do Cariê. É importante registrar o que muitos não sabem e pouco foi comentado nesses últimos dias: Cariê, muito antes de A Gazeta, foi o fundador da primeira agência de propaganda do Estado, a Eldorado Publicidade, em 1965. Agora vejam como a vida é e a volta que ela nos dá. Ele tinha uma empresa do ramo imobiliário, chamada Eldorado Melhoramentos, que pela necessidade e demanda de trabalhos, foi transformada em agência de propaganda.

A publicidade capixaba deve ao Cariê e a outros pioneiros, como Gilberto Pacheco, Armando Rabelo, Jorge de Souza, Osvaldo Oleari, Janc, Milson Henriques, José Roberto Prado, Xerxes Gusmão, Eleisson de Almeida, Leo Becher, Gilson Lourenço, Charles Donozor, Wagner Veiga, Wilde e tantos outros, o que de fato o mercado é hoje. Foi através da publicidade forte que a independência jornalística da Rede Gazeta se formou.

A Eldorado encerrou suas atividades com o falecimento do seu último proprietário, Haroldo Bussotti. Entretanto, o seu legado ficou para a história. E o Cariê, com sua sensibilidade, forjou para a propaganda capixaba o seu verdadeiro devaneio. O depoimento de Cariê ou mesmo o conteúdo do livro “Memória da Propaganda Capixaba”, você encontra clicando aqui.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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