No último domingo, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, foi reeleito. Ocupará por mais cinco anos a representação do Estado Português. Líder absoluto em todas as pesquisas eleitorais, Marcelo foi reeleito com 60,7% dos votos, evitando assim, o segundo turno. Na segunda posição ficou a candidata do Partido Socialista, Ana Gomes, com pouco mais de 13% de preferência do eleitorado.
O fato que infelizmente chamou atenção nessa eleição presidencial em Portugal foi o número de abstenções, o mais alto que já houve, com mais de 61%. Um crescimento de quase 10 pontos percentuais, em relação às eleições presidenciais de 2016. Não faltaram motivos para a população não ir às urnas. Primeiro, o sentimento de que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa venceria de qualquer forma a eleição. Segundo, o número de imigrantes portugueses a viver em outros países e, por fim, o desinteresse dos portugueses pelo quadro atual do sistema eleitoral.
De fato, essa abstenção também foi afetada pelo agravamento da terceira onda do coronavírus no país, com o aumento dos casos de infectados e das mortes pelo contágio da doença durante o período eleitoral. Entretanto, essa abstenção recorde também tem a ver com o desgaste e a fragilidade do próprio processo eleitoral português.
Essa reeleição representa uma vitória pessoal do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Um candidato reconhecidamente de centro direita, que nessa eleição esteve acima de qualquer enquadramento político ideológico. E também, evidentemente, a satisfação de grande parte do eleitorado na continuidade da dobradinha Marcelo Rebelo de Sousa e do primeiro-ministro, Antonio Costa. Embora nesse segundo mandato, o presidente tenderá a uma independência maior em relação ao governo do primeiro-ministro. Principalmente em relação ao combate e à gestão da pandemia e à questão da recuperação econômica.
Outro ponto importante é o crescimento do populismo da extrema-direita em Portugal, representado pelo terceiro colocado no pleito André Ventura, do Partido Chega, que obteve quase 500 mil votos, sufocando os partidos de centro-direta como PSD e CDS. O próximo desafio será a eleição para as prefeituras e um novo cenário poderá ser desenhado no quadro partidário português.