Publicado em 14 de janeiro de 2021 às 18:26
- Atualizado há 5 anos
Após três semanas de crescimento acelerado dos casos de Covid-19 que deixaram o país com a quarta maior taxa de letalidade por milhão de habitantes da União Europeia, Portugal entra nesta sexta-feira (15) em um novo período de confinamento geral. >
Além dos hospitais, os serviços funerários estão sob pressão: nunca, neste país de pouco mais de 10 milhões de habitantes, morreu tanta gente ao mesmo tempo. Somando-se os óbitos por Covid aos ocorridos por outras razões, a média diária de mortes tem sido superior a 500 pessoas há nove dias consecutivos. Algo inédito.>
Portugal também vive um inverno rigoroso, algo pouco comum, e a onda de frio, segundo especialistas, contribui para o aumento da cifra. Nesta semana, já houve dois dias com mais de 600 mortes. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, há mais de 40 anos essa marca não era atingida. As últimas vezes ocorreram em 14 e 15 de junho de 1981, após uma onda de calor sem precedentes.>
Sobrecarregadas, as funerárias portuguesas já pedem ajuda. Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional das Empresas Lutuosas, pediu aos hospitais que aumentem a capacidade de área refrigerada para armazenamento de corpos. "Já há cadáveres em salas refrigeradas a uma temperatura não ideal, mantida com ar condicionado", afirmou ele à agência Lusa.>
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Atualmente, há filas para enterros e cremações em várias partes do país. Em Lisboa, a espera pela cremação pode chegar a 72 horas. Normalmente, esse prazo não ultrapassava 24 horas.>
Em uma tentativa de travar o crescimento de infecções e mortes, Portugal volta agora a um lockdown semelhante ao implementado em março e abril. Quase todo o setor de comércio e serviços fechará as portas outra vez, incluindo salões de beleza, academias de ginásticas e atividades culturais. Restaurantes passam a funcionar apenas com serviço para viagem.>
Dessa vez, porém, o governo optou por manter escolas e universidades abertas.>
Embora o tema não tenha sido consenso, o premiê António Costa (Partido Socialista) justificou a decisão com "a necessidade de não voltar a sacrificar a atual geração de estudantes".>
Oficialmente, as medidas têm validade de 15 dias, e após esse período é preciso renová-las. O primeiro-ministro já adiantou, no entanto, que elas não devem durar menos de um mês.>
Além das escolas, seguem abertas igrejas e outros templos religiosos, ainda que com restrições de lotação e medidas de proteção e distanciamento social obrigatórios. O esporte profissional, incluindo o campeonato nacional de futebol, também não será interrompido –não haverá público nos estádios.>
Devido ao pleito presidencial, no dia 24, está prevista uma liberdade especial de circulação aos eleitores.>
Após um período inicial de bom controle da pandemia, o governo tem sido criticado nesta nova alta de infecções. Enquanto outros países europeus escolheram apertar as restrições no Natal, Portugal foi no sentido inverso e afrouxou as regras no período entre 23 e 26 de dezembro.>
Não houve, por exemplo, limite máximo de pessoas para as celebrações nem proibições de viagens.>
Mesmo com a intensificação das restrições no Ano Novo, especialistas veem consequências graves na decisão de flexibilizar as medidas no período do Natal. Desde março, Portugal registrou 517.806 casos confirmados e 8.384 mortes por Covid-19.>
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