No próximo dia 24 de janeiro os portugueses irão às urnas para escolher o seu novo presidente. Que de novo, aliás, não tem nada. Aqui em Portugal o mandato presidencial é de 5 anos e quem está no poder pode tentar a reeleição. E é exatamente o que vai acontecer. O atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa é candidato e líder absoluto em todas as pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos.
Então, o que move essa eleição? Duas grandes dúvidas: a primeira, como será as eleições em tempos de confinamento, e a segunda, quem será o outro candidato mais bem votado. A disputa do segundo lugar está entre três candidatos: André Ventura do Chega (partido de extrema direita), Ana Gomes, do Partido Socialista (partido do primeiro ministro) e Marisa Matias, do bloco de esquerda.
Com a terceira onda do coronavírus em toda a Europa e a chegada do inverno e das temperaturas muito baixas, Portugal se viu na mesma situação dos outros países do bloco europeu: obrigado a adotar um novo confinamento para conter a expansão do vírus. Entretanto, o governo não demonstra intenção de adiar as eleições.
O risco de se manter uma campanha política pode agravar o número de infectados e, consequentemente, de mortes pelo contágio da doença. A serem mantidas as eleições de 24 de janeiro, além de ser um contrassenso, uma vez que com o confinamento a população deve ficar em casa, como poderá ter campanha eleitoral nas ruas em segurança? As eleições presidenciais correm o sério risco de bater todos os recordes de abstenção em Portugal.
O que não falta são motivos para afastar os eleitores das urnas. Além da liderança do atual presidente e o sentimento do já “ganhou”, há o desinteresse por parte dos mais jovens e a falta de entusiasmo dos portugueses. Os debates na mídia não empolgam. No fundo a questão é burocrática. Saber quem será o segundo colocado. O governo tem tentado minimizar os riscos com medidas de antecipação de voto a partir do dia 17 de janeiro e a formação de equipes eleitorais em todos os municípios portugueses para recolher os votos dos eleitores que estejam em quarentena ou mesmo pessoas idosas que não podem se deslocar.
É sempre importante lembrar que o presidente de Portugal não exerce um cargo executivo. Ele é de representação. Cabe ao primeiro ministro, Antonio Costa, a gestão e administração do país. Apesar do Estado de Emergência ser de iniciativa do presidente da República e de autorização da assembleia da República, cabee ao Primeiro Ministro implementar todas as ações.
Enquanto isso, a boa notícia fica por conta da vacinação. Portugal segue dentro do cronograma, vacinando os profissionais da saúde, forças armadas e sua população idosa.