Portugal iniciou a sua segunda fase de desconfinamento nesta semana. Depois de ser o pior país da Europa no combate à Covid-19, assumiu a liderança no combate à pandemia. Entretanto, ainda é cedo para comemorar. Apesar do número de contágios, internações e óbitos ter reduzido, há um longo caminho até a chegada do verão, até a vacinação de mais de 70% da população e, quem sabe, conter uma quarta onda de forma equilibrada e sem maiores danos à saúde das pessoas.
Mesmo assim, alguns médicos e especialistas na Europa, já colocam essa “imunidade coletiva” como pouco provável, por conta das diversas mutações do vírus e também pelo atraso na vacinação.
Após esse período, ainda no mês de abril, retornarão as escolas de ensino médio e superior, restaurantes e cafés com áreas externas, comércio de porte médio e atividades esportivas de baixo impacto. E somente a partir de 3 de maio serão liberados os shoppings, comércios de grande porte, atividades esportivas, cinemas e teatros. Entretanto, tudo é muito incerto.
O governo deixa muito claro que não hesitará em voltar com novas medidas restritivas, isso se a taxa de contágio aumentar novamente. É certo que alguns municípios portugueses estão tendo que lidar com o aumento do RT e muito provavelmente esses municípios voltarão a ter algum tipo de restrição.
Outra questão importante é o calendário de vacinação. O atraso do recebimento das vacinas pela União Europeia e também a dificuldade de mobilização da população mais idosa fizeramz Portugal perder terreno. Somente agora, neste trimestre, a vacinação de fato terá um impacto positivo. Antes as pessoas precisavam ser convocadas pela Direção Geral da Saúde (DGS) para irem se vacinar. A partir do dia 18 de abril, passarão a marcar data e local de vacinação numa plataforma, por ordem de idade decrescente a partir dos 70 anos.
A população portuguesa anda cansada e há uma certa desconfiança se o conjunto de fatores adotados será efetivo ou não, para que “as coisas voltem ao normal”. Assim, os portugueses cumprem as regras, mas ao mesmo tempo, confiam desconfiando.