Em meio à explosão de casos da Covid-19 na Europa e diante de uma terceira onda, Portugal começa a reverter o confinamento de forma gradual. A nova onda que havia atingido Portugal em fevereiro, fazendo do país o líder mundial de contaminados, iniciou seu plano de saída do confinamento na última semana, com a volta das creches, escolas do ensino básico e fundamental e do pequeno comércio de rua. Entretanto, só começará para valer mesmo após a Semana Santa, período em que os portugueses ainda terão muitas restrições para se deslocarem de um município para o outro.
Após esse período, ainda em abril, retornarão as escolas do ensino médio e superior, restaurantes e cafés com áreas externas, comércio de porte médio, museus e atividades esportivas de baixo impacto. E a partir de 3 de maio serão liberados os shoppings, comércio de grande porte, atividades esportivas, cinemas e teatros. Outra questão importante é a questão do fluxo de pessoas entrando em Portugal. Os voos para o Brasil, por exemplo, estão suspensos até o final deste mês.
O que não quer dizer que a partir de então serão liberados, pois o agravamento da pandemia no Brasil dificulta a liberação de voos comerciais entre os dois países. Outra questão é a liberação da fronteira. Portugal só faz fronteira com a Espanha e a situação no país vizinho ainda não é estável. Por fim, também não está claro quando será a volta do público aos eventos esportivos, shows e eventos em ambientes fechados.
É preciso total atenção a este último momento do isolamento. No ano passado, o governo português errou ao não agir a tempo, ou mesmo em não interromper o crescimento dos números de casos após a última etapa do desconfinamento. O governo necessita ficar atento para não cometer os mesmos erros do passado e não enviar sinalizações equivocadas para a população.
Agora, se tudo der certo, o que irá acontecer com a economia portuguesa? É claro que existe um fator decisivo para a recuperação econômica que é a vacinação, que por sinal, anda muito lenta aqui na Europa. Portugal encontra-se ligeiramente acima da média europeia com pouco mais de 11% da população vacinada com pelo menos uma dose. Do ponto de vista econômico, a situação também é difícil. Segundo o relatório da Informa D&B, estima-se que uma em cada quatro empresas portuguesas não tem capacidade financeira para enfrentar a crise.
Se o plano de vacinação acelerar nos dois próximos meses, é bem possível uma pequena recuperação do segmento do turismo já no próximo verão. Entretanto, não basta Portugal fazer bem o seu dever de casa, é preciso que de alguma forma os países próximos também estejam bem para que o fluxo turístico seja restabelecido. De momento, somente a Inglaterra demonstra ter algum fôlego para isso, embora o governo tenha recomendado expressamente aos ingleses a não viajarem na Páscoa. Por isso, toda prudência é pouca.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta