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Portugal vai do colapso a uma das mais baixas transmissões da Europa

Portugal passou de 16.432 casos em 28 de janeiro para 979 nesta quarta-feira (3), o que foi conquistado com a imposição de um confinamento bastante restritivo

Publicado em 03/03/2021 às 19h28
Portugal chegou a ter dias sem nenhuma morte por Covid-19, mas tendência se reverteu
Portugal passou de 16.432 casos em 28 de janeiro para 979 nesta quarta-feira (3). Crédito: Câmara Municipal de Lisboa

Após ver a pandemia sair do controle em janeiro, com vários dias na liderança mundial em novos casos e mortes por milhão de habitantes e até um pedido de ajuda internacional para cuidar de seus doentes, Portugal tem agora uma das taxas de contágio mais baixas da Europa.

Portugal passou de 16.432 casos em 28 de janeiro para 979 nesta quarta-feira (3), o que foi conquistado com a imposição de um confinamento bastante restritivo.

Em vigor nos moldes atuais desde 22 de janeiro, o lockdown ainda não tem data para acabar. Especialistas e próprio governo consideram que os resultados ainda requerem atenção.

Os hospitais portugueses, no entanto, já estão mais aliviados. Um dos principais termômetros do estado da pandemia, o número de doentes internados caiu 73% entre 1º de fevereiro e 3 de março, passando de 6.775 para 1.827. É o valor mais baixo desde 28 de outubro.

O número de mortes também segue em queda. Em 31 de janeiro, o país registrou o recorde de 303 óbitos pela doença. Em 3 de março, foram 41. Em combinação com o lockdown, o país também reforçou seu programa de vacinação.

A campanha de imunização, que começou com lentidão e ofuscada por denúncias de pessoas vacinadas indevidamente, engrenou e tem batido sucessivos recordes de doses aplicadas. Até agora, o país, que tem cerca de 10 milhões de habitantes, já aplicou mais de 885 mil doses de vacina.

Cerca de 618 mil pessoas (6,2% da população) já receberam a primeira dose, e 266.716 (2,6%) já têm a vacinação completa. Portugal é atualmente o quinto país da União Europeia em número de doses aplicadas.

TAXA DE TRANSMISSÃO DO VÍRUS

De acordo com um relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge publicado na última sexta-feira (26), Portugal estabilizou sua taxa de transmissão do vírus em torno de 0,66 e 0,68. Isso representa o resultado mais baixo de toda a pandemia e um dos menores da Europa.

Na última reunião pública entre políticos e cientistas na Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), na semana passada, os especialistas destacaram a "descida muito significativa" mas alertaram que é cedo para comemorar, apesar das projeções de queda de casos e de internações.

"Nada do que se projeta está adquirido, vai depender de conseguirmos manter a atual tendência de decréscimo de novos casos. Essa tendência depende das medidas atualmente implementadas, da sua adoção pela população, assim como dos comportamentos preventivos da população e do controle da transmissão das novas variantes do Sars-CoV-2", afirmou o epidemiologista Baltzar Nunes, do Instituto Dr. Ricardo Jorge.

No governo, o discurso também tem sido de que ainda é preciso esperar para retomar as atividades, embora diversos setores afetados pressionem pela antecipação da reabertura.

O atual estado de emergência vale até 16 de março, mas o Executivo já sinalizou que ele será renovado. O relaxamento do lockdown deve acontecer apenas depois da Páscoa.

"Seria uma ilusão pensar que controlamos tudo, que podemos voltar a partir, por exemplo, para um desconfinamento com níveis tão elevados de casos como os que temos hoje", afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista à agência Lusa.

Segundo dados da universidade Johns Hopkins, Portugal atualmente é um dos países da Europa com mais restrições em vigor. Além de ter a maior parte do setor de comércio com atividade suspensa, o país também fechou as fronteiras e proibiu voos do Reino Unido e do Brasil.

Segundo o primeiro-ministro, António Costa, o plano de desconfinamento deve ser apresentado apenas na próxima semana. A ideia é que haja uma reabertura gradual do país, com a prioridade para o retorno das crianças à escola.

Apontado como bom exemplo durante a primeira onda da pandemia, Portugal viu a situação epidemiológica sair do controle em janeiro. Nos 31 dias daquele mês, o país registrou 5.576 óbitos por Covid-19. Entre março e dezembro de 2020, haviam sido 6.906.

O governo também relutou em voltar a um confinamento geral. Uma espécie de lockdown soft foi implementado em 15 de janeiro. Mantendo escolas e universidades abertas e com uma série de exceções, a medida "não pegou", e os índices de circulação permaneceram elevados.

Em 22 de janeiro, veio então a opção pelo lockdown alargado e a interrupção das aulas presenciais.

Especialistas afirmam que a explosão de novos casos em janeiro está relacionada ao afrouxamento das medidas de circulação e distanciamento durante o período do Natal.

Enquanto vários outros países europeus apertaram as restrições nas festas de fim de ano, Portugal optou por relaxar as regras. Entre 23 e 26 de dezembro, não houve restrição aos deslocamentos nem à quantidade de pessoas reunidas.

O aumento da demanda deixou o SNS (Sistema Nacional de Saúde), o sistema público de saúde, muito próximo de seu limite. Para dar vazão às vítimas da pandemia, cirurgias e serviços não urgentes foram cancelados, e profissionais, leitos e equipamentos de outras áreas foram deslocados.

O governo português acabou pedindo ajuda de outros países da União Europeia. A falta de profissionais de saúde era o principal gargalo no atendimento. França e Alemanha chegaram a enviar pequenas equipes de médicos e enfermeiros para reforçar os hospitais lusitanos.

A transferência de doentes para outro país não precisou ser efetivada.

Desde o começo da pandemia, Portugal registrou 806.626 casos e 16.430 mortes por Covid-19.

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