Depois de liderar com o maior número de casos de Covid-19 mundialmente, Portugal busca agora um controle sobre a expansão da doença no país. Nessa última semana, o número de casos de contaminação pelo coronavírus baixou de forma expressiva. Portugal passou a ter em torno de 1.000 casos diários. Entrou naquela fase de estabilização e, consequentemente, os números demoram mais para chegar a um patamar mais baixo, com número aceitável de contágios à época do verão europeu.
O governo tem o desafio de não cometer o mesmo erro do final do ano, quando liberou os encontros para as festas de Natal. Agora, aproxima-se a Semana Santa. É muito importante entender que esses dois eventos são os que mais trazem de volta os portugueses que vivem no exterior, notadamente no Reino Unido, França, Alemanha e Espanha.
Aqui em Portugal, a disseminação por convívio familiar lidera as estatísticas de contágio. O estado de emergência está vigente até o dia 1º de março, mas o governo já sinalizou que ele será renovado por pelo menos mais 30 dias. É sempre bom lembrar que pela Constituição portuguesa, esse regime de excepcionalidade só pode ser convocado de 15 em 15 dias.
Outro aspecto a destacar é a necessidade da realização de testes e aumento do rastreio para detectar possíveis novos surtos, que quando rastreados no primeiro momento, podem ficar sob controle localizado, não deixando o vírus se propagar de forma indiscriminada.
Também é importante salientar que Portugal, assim como toda a Europa, não está recebendo o montante das vacinas compradas. A previsão é de que somente no verão europeu as vacinas começarão a chegar em maior quantidade. E que apenas no terceiro trimestre a situação será regularizada. Esse atraso acaba por agravar ou pelo menos retardar o desconfinamento.
O estado de emergência já é uma realidade para os portugueses. Entretanto, é muito provável que o governo venha a flexibilizar algumas das medidas atuais ainda durante esse período excepcional. A grande questão é o planejamento necessário para o desconfinamento e saber exatamente como tornar menos rígidas essas medidas sem comprometer a estratégia para o domínio da pandemia e a retomada, mesmo que tímida, da economia.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta