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Coronavírus

Pandemia: o que o Brasil pode aprender com o exemplo de Portugal

País europeu chegou a ser líder mundial em contaminados por 100 mil habitantes em fevereiro, durante terceira onda, mas agora vê os números decresceram de forma espetacular

Públicado em 

12 mar 2021 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Confinamento durante a pandemia
Números mostraram que o confinamento foi seguramente a forma mais assertiva de conter o avanço do contágio em Portugal Crédito: Freepik
Completamos um ano desde que Portugal entrou em quarentena, em 14 de março de 2020. E exatamente há um ano ocupo esse espaço para comentar sobre o universo da Covid-19 no país. A pandemia do coronavírus atingiu Portugal em cheio na terceira onda. O país chegou a ser líder mundial em contaminados por 100 mil habitantes em fevereiro. Agora, após o confinamento que se iniciou em meados de janeiro, os números decresceram de forma espetacular.
Os portugueses têm contribuído e demonstrado obediência às restrições do confinamento, que é seguramente a forma mais assertiva de conter o avanço do contágio. Não sou eu que estou dizendo. São os números que comprovam a eficácia do confinamento. Diferente do Brasil, em Portugal os questionamentos sobre adoção do Estado de Emergência e sobre as medidas restritivas adotadas pelo governo socialista se dão no campo político e não há negacionismo da pandemia.
E como entender a situação do país que conteve a primeira onda de forma exemplar e foi para o pior país na terceira onda no mundo? Não há um causa única, segundo os especialistas. Entretanto, podemos relacionar cinco fatores como determinantes, que atuando em conjunto ou não, talvez tenham propiciado essa situação: primeiro, as festas de fim de ano. Nas festas, as pessoas se reúnem, comem, bebem e não usam máscaras. Segundo, a variante inglesa que chegou a Portugal pelos próprios portugueses no fim do ano em visita aos seus familiares.
Essa mutação do vírus, além de mais contagiosa, foi inesperada. Terceiro, as temperaturas demasiadamente baixas com o frio europeu. Quarto, o relaxamento das medidas de distanciamento social pela população. E, por último, a demora do governo em adotar medidas planejadas e mais restritivas. Assim, quando olhamos para o cenário brasileiro, a curva de aprendizado parece estar longe do imaginário ideal. Não só pelos equívocos e omissões do governo federal, mais também pelo próprio comportamento de uma parcela significativa da população, com um total descaso com a pandemia.
Então, o que podemos aprender e tirar de lição com toda essa situação do lockdown português? Primeiro que, na demora em agir, o preço que se paga é muito alto. Vidas são perdidas. Para isso não há recuperação. Não existe uma segunda chance. É melhor pecar pelo excesso do que pela omissão.
Segundo que a necessidade de aumentar o número de testes e o rastreio é a única forma de interromper a cadeia de contágios e assim conseguir agir de forma localizada e rapidamente. Em terceiro fica a comunicação. É preciso informar melhor a população. Campanhas publicitárias são bem-vindas para atender todos os questionamentos e agir de forma coordenada e com informações baseadas em decisões médicas e científicas. Principalmente nessa fase de vacinação.
Passada essa terceira onda, não sabemos quanto tempo levará para a vacinação fazer efeito na população para atingirmos 70% de pessoas vacinadas. O governo português anunciou nesta semana medidas de desconfinamento de forma gradual e em fases. É preciso muita prudência, pois ainda é cedo e vivemos com a possibilidade real de uma quarta onda. Olhando para o cenário atual parece um exagero, mais foi exatamente por isso que o estrago foi feito: acreditar que não aconteceria novamente.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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