De repente, explodiu tudo como uma bomba no colo de Bolsonaro, para fazer uma analogia com ações que ele enaltece. Como se reunir agora para discutir "Plano Marshall" com bilhões para obras? Como coordenar a saída do isolamento pelo coronavírus? Como convocar manifestação de apoio nas ruas se a maior parte dos apoiadores já debandou, como se pode ver nas redes sociais? Como indicar um ministro da Justiça e, principalmente, um novo diretor-geral da PF sem despertar suspeitas?
Como continuar as negociações com o Centrão, Roberto Jefferson e Waldemar da Costa Neto, contrariando tudo o que prometera? Como conviver com acusações seguidas aos filhos do presidente, sobre rachadinhas, organização de manifestações contra o Congresso e ataques ao STF? No pronunciamento do presidente, nada foi comentado sobre essas acusações aos filhos, desviando para namoro do 04, na tentativa de devolver acusações à PF. Não foi minimamente convincente e fugiu dos problemas que, de fato, estão na mesa.
Esta é a verdade: o governo Bolsonaro acabou. O caminho da renúncia, poupando o país de mais um impeachment demorado em meio à maior crise econômica que o país já viveu, é a única saída decente. Vai marcar um número cabalístico: de 29 em 29 anos o presidente eleito no ano renuncia: 1960, 1989, 2018. É lamentável, mas Moro nos fez conhecer a verdade e a verdade nos libertará.