Em meio à maior crise já enfrentada pelo mundo desde a Segunda Guerra Mundial, com a pandemia do coronavírus, o governo de Jair Bolsonaro conseguiu intensificar algo que já era suficientemente grave.
O rompimento com o então ministro da Justiça Sergio Moro não só abala um dos principais sustentáculos deste governo, com o combate à corrupção, como também passa a expor de forma mais transparente o real Bolsonaro.
O episódio desta sexta-feira (24) ajuda a deixar para trás a imagem que Bolsonaro trabalhou para construir durante a campanha presidencial, colocando nomes de peso e tecnicamente reconhecidos para blindá-lo da mediocridade que sempre teve ao longo da sua trajetória política.
Ao cair Moro, cai também por terra muitas das expectativas que diversos segmentos da sociedade tinham em relação a esse governo. E, mais do que isso, coloca em dúvida até que ponto outro pilar desta equipe, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se sustentará no cargo.
Nesta semana, já tivemos episódios como a apresentação do plano Pró-Brasil, programa com objetivo de recuperar a economia no pós Covid-19, que reforçou as divergências que existem entre algumas alas do governo federal.
Enquanto a Casa Civil e outros ministérios defendem gastos em obras públicas como antídoto para a crise econômica, integrantes da equipe de Guedes avaliam que o Pró-Brasil vai criar despesas extras e colocar o país em uma situação fiscal ainda mais difícil de ser revertida.
A corda entre o populismo de Bolsonaro e a agenda liberal de Guedes já está bem esticada e tensionada, se ela vai romper, ainda não é possível afirmar. Mas independentemente do que aconteça na relação do presidente com o posto Ipiranga, fato é que a instabilidade política só faz crescer a falta de confiança que já paira sobre a economia.
Os mercados reagiram rápido na resposta de que esse caos não é bem-vindo ao país. O dólar chegou a ser cotado a R$ 5,73 e o Ibovespa fechou com uma queda de 5,45%. Esse, entretanto, não é o único reflexo que a economia sente quando um gestor coloca seus interesses pessoais acima dos interesses da nação.
Há outras respostas, não tão imediatas, mas que são ainda mais cruéis: a recessão, o desemprego, a falência de empresas, só para citar algumas. Tudo isso já estava de certa forma contratado por conta do coronavírus, mas, ao minimizar a pandemia e conduzir de forma irresponsável a gestão do Brasil, Bolsonaro coloca à prova o rumo do país.
Nesta sexta-feira, muitos admiradores do presidente confessaram estar decepcionados. A perda de apoio que ele tende a sofrer é grande, só não é maior do que o país já perdeu com as atitudes erráticas de Jair Bolsonaro.