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Leonel Ximenes

O Brasil é uma República ou uma republiqueta de bananas?

É preciso que se investiguem os crimes de responsabilidades apontados por Sérgio Moro contra Bolsonaro; e se confirmados, que o presidente seja afastado

Publicado em 24 de Abril de 2020 às 13:37

Públicado em 

24 abr 2020 às 13:37
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Presidente da República, Jair Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: Alan Santos/PR
Somos uma autêntica República moderna alicerçada em princípios democráticos ou uma republiqueta de bananas submetida aos caprichos pessoais e políticos do chefe de plantão no Palácio do Planalto? A resposta teremos em breve. O destino do país está nas mãos das forças vivas e democráticas da Nação, que assistiram hoje (24), estarrecidas, ao enfileiramento de crimes de responsabilidade do presidente Bolsonaro expostos no pronunciamento de despedida do cargo do agora ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.
É inconcebível e intolerável, se comprovadas as graves denúncias feitas por Moro, que o país conviva com um presidente da República que não hesita em afrontar a Constituição e o Estado Democrático de Direito para proteger seus interesses pessoais. É preciso que se apure tudo e, se for o caso, que Bolsonaro seja afastado do poder para o bem do país e da nossa democracia.
A tentativa de interferir nas investigações da Polícia Federal - uma Polícia de Estado, não de governo, bem entendido - viola a Constituição, é crime de responsabilidade. No afã de proteger seus filhos alucinados e mimados da investigação da PF, ele vilipendia a instituição Presidência da República, mostrando que não tem estatura moral e política para exercê-la. E a falta de impessoalidade na gestão se configura em mais um crime de responsabilidade.
Nada de tergiversar. Cadê o procurador-geral da República, que até agora tem se mostrado, em atos e omissões, como autêntico “procurador-geral do presidente da República”? O senhor Augusto Aras não pode prevaricar, não pode deixar de cumprir seu papel institucional, e deve, com urgência, abrir um processo de investigação dos crimes apontados pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública contra Bolsonaro.
Ao Congresso Nacional, ainda que com todas as dificuldades de se reunir por causa da pandemia do novo coronavírus, cabe a tarefa de instaurar, imediatamente, uma CPI para apurar todos os crimes supostamente cometidos pelo presidente. E, se forem confirmadas as acusações, não há outro remédio: é preciso que seja aberto um processo de impeachment. Um processo doloroso, decerto, mas necessário porque o país e a democracia não podem continuar sangrando indefinidamente por atos irresponsáveis e afrontosos à lei.
E à sociedade civil organizada, um desses pilares que chamo de forças vivas da Nação no começo deste texto, é reservado o papel ativo de vigilância e cobrança das medidas saneadoras, para o bem do país, do seu povo, das instituições.
O ex-ministro Moro, apesar da sua ingenuidade política em acreditar na profissão de fé republicana do ex-capitão, prestou um relevante serviço ao Brasil expondo as articulações antirrepublicanas e antidemocráticas de Bolsonaro, um homem que já deu provas contundentes de despreparo para comandar os destinos do país. Ainda mais agora, com a pandemia da Covid-19, que requer medidas de distanciamento social, as quais ele debocha, viola e sabota.
É preciso distanciar Bolsonaro do comando do país. E se for preciso, aplicar o remédio certo, na dose certa: o impeachment, que não tem contraindicações como a cloroquina. E sem bananas.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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