É inconcebível e intolerável, se comprovadas as graves denúncias feitas por
Moro, que o país conviva com um presidente da República que não hesita em afrontar a Constituição e o Estado Democrático de Direito para proteger seus interesses pessoais. É preciso que se apure tudo e, se for o caso, que Bolsonaro seja afastado do poder para o bem do país e da nossa democracia.
A tentativa de interferir nas investigações da Polícia Federal - uma Polícia de Estado, não de governo, bem entendido - viola a Constituição, é crime de responsabilidade. No afã de proteger seus filhos alucinados e mimados da investigação da PF, ele vilipendia a instituição Presidência da República, mostrando que não tem estatura moral e política para exercê-la.
E a falta de impessoalidade na gestão se configura em mais um crime de responsabilidade.
Nada de tergiversar. Cadê o procurador-geral da República, que até agora tem se mostrado, em atos e omissões, como autêntico “procurador-geral do presidente da República”? O senhor Augusto Aras não pode prevaricar, não pode deixar de cumprir seu papel institucional, e deve, com urgência, abrir um processo de investigação dos crimes apontados pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública contra Bolsonaro.
Ao Congresso Nacional, ainda que com todas as dificuldades de se reunir por causa da pandemia do novo coronavírus, cabe a tarefa de instaurar, imediatamente, uma CPI para apurar todos os crimes supostamente cometidos pelo presidente. E, se forem confirmadas as acusações, não há outro remédio: é preciso que seja aberto um processo de impeachment. Um processo doloroso, decerto, mas necessário porque o país e a democracia não podem continuar sangrando indefinidamente por atos irresponsáveis e afrontosos à lei.
E à sociedade civil organizada, um desses pilares que chamo de forças vivas da Nação no começo deste texto, é reservado o papel ativo de vigilância e cobrança das medidas saneadoras, para o bem do país, do seu povo, das instituições.
O ex-ministro Moro, apesar da sua ingenuidade política em acreditar na profissão de fé republicana do ex-capitão, prestou um relevante serviço ao Brasil expondo as articulações antirrepublicanas e antidemocráticas de Bolsonaro, um homem que já deu provas contundentes de despreparo para comandar os destinos do país. Ainda mais agora, com a pandemia da Covid-19, que requer medidas de distanciamento social, as quais ele debocha, viola e sabota.
É preciso distanciar Bolsonaro do comando do país. E se for preciso, aplicar o remédio certo, na dose certa: o impeachment, que não tem contraindicações como a cloroquina. E sem bananas.