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Economia

Empresas capixabas estão na vanguarda do desenvolvimento

Numa futura economia turbulenta, é suicídio empresarial agir de forma egoísta, adotando a velha política de shareholder, que divide lucros com acionistas e prejuízos com a sociedade

Públicado em 

23 jun 2020 às 05:00
Cássio Moro

Colunista

Cássio Moro

Economia, crise e desenvolvimento
Economia, crise e desenvolvimento Crédito: Freepik
No último dia 10/06/2020, a jornalista Beatriz Seixas publicou excelente matéria aqui em A Gazeta sobre a estratégia de enfrentamento da crise utilizada pela Suzano, empresa com unidade fabril aqui no Espírito Santo. A notícia é animadora e mostra como alguns exemplos podem representar o que há de melhor num livre mercado durante uma situação econômica delicadíssima como a que estamos vivendo.
Essa companhia tem mantido e antecipado pagamento a empresas que lhe prestam serviços terceirizados, focando na garantia da folha salarial dos empregados. E o objetivo não é altruísta. Numa visão mais ampla do meio econômico onde está a empresa instalada (todo ambiente em sua volta, empregados, empresas prestadoras de serviços, clientes, sociedade, meio ambiente...), a economia se recupera mais rápido e os impactos negativos são notadamente menores.
É a aplicação revisitada de uma célebre frase de Adam Smith: “Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro e do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelos seus próprios interesses”.
Essa política é o que se chama de stakeholder capitalism, o novo modelo de capitalismo esclarecido de partes interessadas, um movimento que tem ganhado fôlego desde sua profusão pelo fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab. Em suas palavras, “empresas com modelo de stakeholders podem ter condições para ajudar durante esta crise, pois o seu modelo de negócio é mais robusto, e as suas alianças com as demais partes interessadas na sociedade, com o governo e o público em geral, são mais fortes”.
Em tempos de crise empresas podem optar por (1) cortar contratos e folha salarial para ter reservas, pensando somente no seu próprio umbigo ou (2), como stakeholders, focar no longo prazo, investindo na saúde financeira de todos a sua volta. Comparando com políticas públicas, o stakeholder é aquele político que faz obras de longo prazo pouco importando se vai ser reeleito, focado no legado para próximas gerações.
Numa futura economia turbulenta, é suicídio empresarial agir de forma egoísta, adotando a velha política de shareholder, que divide lucros com acionistas e prejuízos com a sociedade. Não se trata de requentar discursos de “esquerda” em defesa da função social da propriedade, mas o oposto: trata-se de uma iniciativa privada altamente sofisticada e liberal, sem imposição do Estado.
É o que deve representar o mercado do século XXI. De nada adianta, pois, leis de liberdade econômica e flexibilização de obrigações, se empresas não agem de forma responsável. O stakeholder é a demonstração de que o capitalismo não precisa e não deve ser selvagem, e o respeito ao ambiente social, às gerações futuras e a todos os envolvidos é a base para a correção das injustiças geradas nas últimas décadas. É a melhor forma, hoje, de se enfrentar a crise e garantir desenvolvimento social.

Cássio Moro

É juiz do Trabalho, doutorando em economia, mestre em Processo, especialista em Direito do Trabalho e economista. Professor de graduação e pós-graduação da FDV. Neste espaço, busca fazer uma análise moderna, crítica e atual do mercado e do Direito do Trabalho

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