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Estratégias contra a crise

Suzano vai antecipar pagamentos a empresas e bancar salários de terceirizados

A maior produtora mundial de celulose está adotando ações para minimizar os efeitos da crise do coronavírus. Confira na coluna como ficará esse projeto na unidade de Aracruz

Publicado em 10 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 jun 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Vista aérea da unidade da Suzano em Aracruz
Vista aérea da unidade da Suzano em Aracruz Crédito: Divulgação
“O conceito não é o de benevolência. Mas de trabalho em conjunto. Só é bom para nós se for bom para todo mundo.” A frase é do diretor de Logística e Suprimentos da Suzano, Wellington Giacomin, e traz a visão da maior produtora mundial de celulose de eucalipto de fibra curta no que diz respeito ao relacionamento que ela procura ter junto aos seus profissionais, fornecedores e clientes.
Essa afirmação foi dita pelo executivo à coluna durante entrevista para abordar as ações que a companhia vem realizando para minimizar os impactos da pandemia do novo coronavírus.
Entre as iniciativas estão antecipar o pagamento de serviços prestados por fornecedores e assumir os salários de trabalhadores de empresas terceirizadas que, a pedido da própria Suzano, interromperam as atividades de prestação de serviço. Aqui no Espírito Santo, 80 negócios de pequeno porte e cerca de 200 trabalhadores foram incluídos no programa.
Ao adotar essa estratégia, a empresa ataca em várias frentes, mas em todas elas o objetivo é um só: atravessar a crise decorrente da Covid-19 de uma forma mais sustentada, sem rupturas para ambos os lados.
Ao ajudar fornecedores, especialmente os micro e pequenos, a Suzano dá fôlego de caixa para os seus parceiros, contribuindo para a continuidade do negócio e a manutenção de empregos, e minimiza os riscos de perder fornecedores com os quais já construiu relações econômicas.
Giacomin explica que a decisão de adotar estratégias no sentido de preservar a saúde financeira das empresas veio em março, quando a equipe da Suzano identificou a gravidade da crise.
“Mapeamos então quais stakeholders poderíamos tentar atender e suprir algumas necessidades. E decidimos focar nos pequenos e médios negócios, aqueles que têm faturamento de até R$ 5 milhões por ano.”
Algumas ações foram definidas. Uma delas foi a de antecipar pagamentos. Em geral, quando uma empresa presta serviços para a Suzano, ela pode levar 30, 60 ou até 90 dias para receber o pagamento. Mas com a pandemia, esse prazo foi encurtado.
Wellington Giacomin é diretor de Logística e Suprimentos da Suzano
Wellington Giacomin é diretor de Logística e Suprimentos da Suzano Crédito: Marcio Schimming /Divulgação
"Nossa intenção foi gerar capital de caixa para o fornecedor e manter a nossa relação comercial. Assim, também esperamos que essa pequena empresa não faça a desmobilização das pessoas"
Wellington Giacomin - Diretor de Logística e Suprimentos da Suzano
Para os negócios em que a dependência da Suzano ultrapassa 60%, a gigante da celulose fez uma parceria com o Sebrae para que os empreendedores passassem por treinamentos, com objetivo de melhorar o modelo de gestão, e tivessem acesso a programas e linhas de crédito par enfrentar esse período.
Outra medida foi fazer o pagamento, limitado a 20%, de pedidos que foram realizados pela Suzano ao fornecedor, mas que a previsão de entrega é mais adiante, ou seja, antes mesmo de prestar o serviço, o empresário já vai receber parte da fatura.
Nas três situações citadas, há diferentes perfis de fornecedores envolvidos. Entre os negócios que foram mapeados estão: papelaria, consultoria, supermercado, material de construção, empresas de metalmecânica, de automação, entre outros. Em todo o país, serão R$ 20 milhões para apoiar quase 700 parceiros hipossuficientes. Já no projeto voltado para a unidade capixaba são cerca de 4,5 milhões que contemplam 80 negócios.

COMPANHIA VAI PAGAR 90 DIAS DE SALÁRIO

Também entrou nas ações da empresa bancar os salários, por 90 dias, de profissionais que deveriam estar prestando serviço para a Suzano, mas tiveram as atividades paralisadas como um das medidas de segurança sanitária.
“Aquele trabalhador que estava na unidade de Aracruz ou na floresta e não está trabalhando por decisão da Suzano, a companhia está garantindo o pagamento desse profissional. Não estamos pagando o lucro do empresário, mas, para evitar demissões, adotamos essa estratégia", observou o executivo.
Em todas as operações da Suzano estão nessa condição 506 colaboradores externos, com uma massa salarial de R$ 4,5 milhões. Desse total, entre 30% e 40% são do Espírito Santo.
"Sabemos que a pandemia será um processo difícil e que vai deixar muitos impactos na economia. O mais importante para nós é mantermos a nossa cadeia de fornecedores"
Wellington Giacomin - Diretor de Logística e Suprimentos da Suzano
Assim como a Suzano, outras empresas vêm adotando a estratégia de ajudar seus fornecedores, a exemplo da Vale que, conforme noticiado pela coluna, antecipou o pagamento de quase 200 empresas do Espírito Santo.
O olhar que muitas companhias voltaram para seus parceiros, principalmente os micros, demonstra a conexão das cadeias produtivas e como o pequeno negócio também tem relevância para as grandes corporações.
Dar sobrevida a essas empresas em um momento tão delicado como esse que vivemos é manter as relações comerciais conquistadas ao longo do tempo, como com suprimentos e serviços de qualidade, preço competitivo e entrega em bons prazos. Mas é também uma forma de garantir que a economia local se sustente, com a geração de impostos, emprego e renda.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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