Mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, a indústria sucroalcooleira capixaba espera ter resultados melhores em 2020. A Usina Paineiras - empresa centenária sediada em Itapemirim, no Sul do Espírito Santo - tem uma expectativa de moer 22% a mais de cana-de-açúcar do que na última safra, ou seja, quer alcançar o processamento de 600 mil toneladas da matéria-prima em 2020 contra 492 mil toneladas em 2019.
Ao processar esse volume, a indústria espera produzir 670 mil sacos de 50 quilos de açúcar e 25 milhões de litros de etanol. O gerente administrativo e financeiro da empresa, Antonio Carlos de Freitas Junior, explica os motivos para essa expectativa.
"Este ano choveu bem, a cana-de-açúcar se desenvolveu bem. O tempo começou a esfriar mais cedo, com isso, o açúcar deve se concentrar mais na cana-de-açúcar, e então esperamos mais qualidade da matéria-prima e melhor produtividade da indústria, gerando melhor resultado da safra, inclusive para os produtores rurais"
Apesar dos números mais otimistas para 2020, os resultados dos últimos anos foram muito ruins para o segmento. A melhor safra antes desta que vai ser colhida foi em 2014, quando 780 mil toneladas de cana-de-açúcar foram processadas.
A Paineiras vai começar a colheita no próximo dia 24. A data prevista inicialmente para a safra era maio, mas com a pandemia, a falta de alguns insumos e a necessidade de tomar cuidados sanitários, ela foi adiada para o final deste mês. O planejamento é que a safra seja concluída no final de outubro.
Para a empresa, depois de dois anos, o açúcar deve voltar a remunerar melhor do que o álcool, fazendo com que a usina produza mais açúcar do que etanol. “Mas é importante destacar que o etanol que a Usina Paineiras produz não é o que permite a produção de álcool 70%. Produzimos esse outro tipo em abril, excepcionalmente e em relativamente pequena quantidade, exclusivamente para doação, mas nossa indústria só tem condições de produzir em grande escala o etanol que é usado para combustível de veículos”, ponderou Freitas Junior.
CUIDADOS SANITÁRIOS
Cerca de 600 trabalhadores vão estar envolvidos nas atividades da empresa nesse período. Diante do grande volume de mão de obra, a indústria pediu a ajuda da Secretaria de Saúde de Itapemirim para que juntos realizem um trabalho de conscientização e de orientações sanitárias para evitar a disseminação da doença na empresa e no município.
Além dos cuidados já conhecidos, como o uso de máscaras e álcool gel, uma das recomendações é sobre a medição diária da temperatura dos profissionais.
"Precisamos garantir que os trabalhadores estejam saudáveis quando chegarem (em Itapemirim) e que assim permaneçam. Sugiro que a usina tenha pessoas orientadas para monitorá-los, verificando a temperatura diariamente, se for possível, e encaminhando para atendimento médico aqueles que apresentarem sintomas”, sugeriu a presidente do Sistema de Comando em Operações (SCO) de Itapemirim, Luciana Peçanha.