Como destacou o Financial Times, a COP30 ficará marcada como a primeira Conferência do Clima a colocar a verdade na mesa das negociações, abordando as complexidades de reduzir o impacto do Aquecimento Global.
A Presidência do Brasil na COP foi hábil para manter o equilíbrio entre não romper um sistema de colaboração internacional em crise e aprovar decisões que reduzissem os riscos futuros, abrindo ainda caminhos inovadores de discussão paralelos ao processo formal dessas conferências, que demanda aprovação unânime para seguir adiante.
O Aquecimento Climático resulta da ação dos Gases de Efeito Estufa (GEE), sendo o principal deles o CO₂, quase todo oriundo da queima de combustíveis fósseis, que continua a ser emitido em escala elevada e deverá continuar a sê-lo pelo menos até 2030.
Mesmo se todos os compromissos assumidos no Acordo de Paris forem cumpridos, o aumento da temperatura global pode chegar a 2,9 °C até 2100, o dobro da meta acordada de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, provocando secas e inundações, ondas de calor que causariam a morte de milhões de pessoas, aumento do risco de escassez no abastecimento de água de cidades e indústrias, elevação do nível do mar de até 1 m causando a destruição de infraestruturas e deslocando populações inteiras, queda na produção agrícola de diversos países como o Brasil e impacto econômico que pode reduzir em até 1/3 o crescimento do PIB brasileiro e em até 30% o PIB global.
Daí a importância de que um dos novos caminhos paralelos abertos tenha sido a decisão de elaborar, fora do processo da COP, um mapa do caminho para a redução dos combustíveis fósseis, com o apoio de 80 países, pois passará a fazer parte da agenda política global, gerando pressões que poderão levar futuras COPs a aprová-lo. Essa é uma corrida contra o tempo.
A esperança está no vertiginoso crescimento das energias renováveis, principalmente solar e eólica, cuja capacidade instalada global já alcançou a mesma ordem de grandeza das energias fósseis. De acordo com a Agência Internacional de Energia, cerca de 70% dos investimentos energéticos em 2024 foram para tecnologias limpas.
Atualmente, a geração efetiva de eletricidade em muitos países ainda é dominada pelos fósseis, porque suas usinas costumam operar mais horas por ano, já que as solares só funcionam à luz do dia e as eólicas variam com a intensidade dos ventos. Mas essas limitações poderão ser superadas por um conjunto de recursos, como diversificação das fontes e regiões, armazenamento, sistemas mais flexíveis e uma melhor gestão.
E novas tecnologias continuam a surgir, algumas com potencial revolucionário, como a recentemente anunciada pelo polêmico Elon Musk, de gerar energia elétrica no espaço com centenas de milhares de satélites com sistemas de computação de Inteligência Artificial, usando energia solar quase contínua, sem consumir eletricidade das redes terrestres ou precisar de água para resfriamento, já que o espaço é gelado.
Uma transição dessa natureza não se faz sem um plano bem estruturado, o que requer um processo de discussão global amplo, que será iniciado agora, num momento em que a geopolítica internacional parece conspirar contra e em que o tempo se torna cada vez mais curto.
O objetivo do Mapa do Caminho é servir de bússola para que esse processo de discussão possibilite uma transição justa e inclusiva, tendo tido o grande mérito de ter sido lançado, algo que um importante grupo de países e empresas conseguiu empurrar para baixo do tapete durante 30 anos. É preciso agora levá-lo adiante.
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