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COP30

Será o homem o sapo da lenda frente ao aquecimento global?

Na COP30, os delegados precisaram equilibrar-se entre não romper um multilateralismo em crise e definir um conjunto de medidas que reduzissem os riscos ao futuro da humanidade

Publicado em 27 de Novembro de 2025 às 05:02

Públicado em 

27 nov 2025 às 05:02
Carlos Roxo

Colunista

Carlos Roxo

Embora seja falsa a lenda de que um sapo colocado numa panela de água fria posta ao fogo adapta-se e morre, será o homem igual ao sapo da lenda frente ao aquecimento global, incapaz de salvar-se?
1º Acordo sobre Clima, na COP21 de 2015 em Paris, limitou o aumento da temperatura média global a 2°C e buscou não ultrapassar 1,5°C, evitando o aumento estimado de 4ºC até 2100. Mas o quadro ainda é dramático, com a previsão de que mesmo com as medidas já aprovadas o aumento da temperatura seja de 2,8ºC, causando a elevação do nível do mar em 1 metro, êxodos humanos, pobreza e redução do PIB global de 16 a 22%. A humanidade pode até sobreviver, mas em condições muito piores que as atuais.
Foi nesse contexto, agravado pelas turbulências da atual conjuntura internacional, que a COP30 foi realizada em Belém.
Como destacou uma matéria do Financial Times, a COP30 ficará marcada como a primeira a colocar a verdade na mesa das negociações, abordando as complexidades reais da redução das emissões de carbono, como caminhos para reduzir os combustíveis fósseis e desmatamento, regras do comércio global e minerais críticos para as energias renováveis.
É difícil para países tão diversos encontrarem pontos-chave comuns e agirem em conjunto. Na COP30, os delegados precisaram equilibrar-se entre não romper um multilateralismo em crise e definir um conjunto de medidas que reduzissem os riscos ao futuro da humanidade.
A Presidência do Brasil na COP foi hábil para manter esse equilíbrio, aprovando 29 decisões sobre adaptação, financiamento, transição justa e inclusão social, adotadas por consenso por 195 países, reforçando o Acordo de Paris e criando novos instrumentos.
As decisões abrangeram temas como adaptação, financiamento climático, comércio, tecnologia, gênero, povos tradicionais e transição justa, com forte ênfase em conectar a agenda climática ao desenvolvimento e à redução de pobreza. Destaque-se entre elas a decisão sobre um plano para ampliar o financiamento climático global para pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, objeto de um longo impasse; a operacionalização da Meta Global de Adaptação, definindo dezenas de indicadores comuns para monitorar os impactos climáticos nos países; e a criação do Fórum Integrado sobre Mudança do Clima e Comércio para coordenar políticas comerciais alinhadas ao clima.
Some-se a isso outras iniciativas, como o Fundo “Florestas Tropicais para Sempre”, lançado pelo Brasil na COP30 para remunerar países tropicais por manterem suas florestas em pé, garantindo recursos de longo prazo para conservação, bioeconomia e populações que vivem na floresta, com promessas de aporte iniciais de 6,5 bilhões de dólares.
A discussão de um plano para reduzir os combustíveis fósseis foi a mais crítica, pois embora os fósseis sejam responsáveis por 70% do aquecimento global, muitos países recusaram-se a discuti-lo, o que quase travou a COP. Embora qualquer redução que venha a ser feita precise ser gradual, não discutir um plano para isso equivale à metáfora de tirar o sofá da sala.
Belém
Movimentação de manifestantes na COP30 Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil
A decisão de elaborar, fora do processo da COP, um mapa do caminho para a gradual redução dos fósseis, que teve o apoio de 80 países, inovou e foi um gigantesco passo à frente, pois ainda que o mapa a ser elaborado não seja aprovado pela conferência, será certamente incorporado à agenda global, que envolve toda a sociedade, desencadeando um cipoal de pressões e contrapressões, que colocarão em xeque a própria governança climática atual.
Belém foi apenas uma etapa do caminho, e o resultado foi superior ao esperado, mas precisaremos trabalhar duro para provar que o homem não é o sapo da lenda.

Carlos Roxo

Engenheiro ambiental, sócio da Maker Sustentabilidade e membro do Grupo Executivo da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura

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