Assim como o desaparecimento de alguns empregos (bem como o surgimento de novos postos de trabalho) pode ser inevitável diante do avançar das novas tecnologias, a pandemia mostra que o home office veio para ficar. No momento, para evitar uma maior propagação do coronavírus, além do uso de máscaras e do reforço dos cuidados com higiene, uma das medidas mais recomendadas pelas autoridades sanitárias é a adoção do trabalho remoto.
No contexto pandêmico, sobremaneira nesta época em que os sistemas de saúde estão à beira do colapso, o home office não só é recomendado como é fundamental para diminuir a circulação de pessoas e, por consequência, reduzir as possibilidades de contágio e o número alarmante de óbitos. As atividades que comportem sua execução por canais remotos devem ter predileção pelo teletrabalho, até mesmo as atividades ditas essenciais.
Assim, é muito mais fácil e razoável cobrar que algumas profissões priorizem o trabalho remoto. A advocacia, por exemplo, apesar de ser mister indispensável à administração da Justiça, deve ser exercitada pelos canais remotos, já que a maioria dos tribunais informatizou seus sistemas processuais.
É bem mais plausível e factível que um advogado trabalhe de casa, do que esperar que um feirante adote o home office, notadamente porque ainda não há nenhuma confirmação quanto à instituição do novo auxílio emergencial, tampouco quanto aos valores de eventual auxílio ou à data em que será creditado.
Em geral, os trabalhadores mais simples são aqueles com menores condições de desempenhar suas funções de modo remoto e, justamente por isso, são aqueles que dependem de maior preocupação por parte das autoridades.
Mesmo antes da pandemia, diversos órgãos públicos e empresas já haviam começado a implementar o trabalho remoto. Em especial porque as novas tecnologias, sobretudo na área da tecnologia da informação, têm propiciado que as atividades laborais sejam executadas diretamente de casa ou de onde estiver o trabalhador, sem a necessidade de lotar os escritórios. O teletrabalho traz resultados positivos às empresas, à administração pública e ao trabalhador.
Para o empregador, o home office se traduz em aumento da produtividade de seus subordinados e reduzir os custos com fornecimento de energia elétrica, água, limpeza, telefonia e diversas outras despesas de custeio.
Noutro giro, para o trabalhador, o teletrabalho tem aptidão para contribuir para a melhora da qualidade de vida, já que o colaborador, dentre outros benefícios, não terá que enfrentar o trânsito cada vez mais caótico das cidades, que subtrai horas importantes de seu dia a dia, horas que poderiam ser aplicadas em outras atividades.
Assim, em meio à tragédia que é a pandemia do coronavírus, o home office é aspecto positivo que ficará como legado deste momento, para empregadores e trabalhadores. Em respeito e solidariedade às famílias dos mais de 300 mil brasileiros que tiveram as vidas ceifadas pela Covid e, principalmente, para proteger a vida das pessoas que amamos ou com as quais convivemos, é um gesto cívico, de amor ao próximo e de responsabilidade social, trabalhar de casa, sempre que possível.
Em última hipótese, aquelas atividades essenciais que dependerem do trabalho presencial devem reforçar, ao máximo, as medidas de segurança sanitária, inclusive, no itinerário de casa ao trabalho e vice-versa.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta