Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vacinas

Além da Covid, negacionismo prejudica imunização contra outras doenças

Avanço do movimento antivacina contribui para o reaparecimento de doenças consideradas, até então, erradicadas, como o sarampo, a difteria e a poliomielite

Publicado em 11 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

11 jun 2021 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

A partir desta terça-feira (25), pessoas a partir de 18 anos com comorbidades podem se vacinar em Cachoeiro de Itapemirim. Não precisa de agendamento
A Terra não é plana e as vacinas não transformam ninguém em jacaré ou num ímã humano Crédito: Márcia Leal/PMCI
Enquanto as filas para a vacinação contra a Covid-19 são constantes, por outro lado, a procura por imunização contra a gripe está aquém das expectativas, inclusive naqueles grupos historicamente com maior adesão à vacinação: o das crianças. Nesta semana, por exemplo, em Vitória, o agendamento da vacinação contra o coronavírus foi aberto minutos antes do anunciado e, no horário previsto, já não havia mais vagas. Já as vagas para a vacinação contra a Influenza duraram bem mais.
Em que pese a gripe ter sintomas mais brandos que a Covid, trata-se de doença de importância pública, afetando, principalmente, pessoas idosas. Por isso, desde 1999, o SUS tem realizado campanhas de vacinação contra a Influenza. Lembro-me que, desde aquela época, já havia fake news em torno da vacinação. Cheguei, inclusive, a ouvir que a vacina contra a gripe era uma estratégia do então presidente Fernando Henrique Cardoso para suprimir a população idosa e, consequentemente, o número de aposentados no Brasil.
De lá pra cá, apesar do avançar do conhecimento científico e da ampliação do acesso a informações de qualidade, a onda de fake news e o movimento anticientífico não retrocederam, pelo contrário, ganharam adeptos em meio a um fanatismo político-ideológico.
Basta lembrar que, em pleno ano de 2021, ainda há quem acredite que a Terra é plana. Para os “terraplanistas”, como são chamados, a noção de um planeta esférico é uma grande conspiração, um tanto quanto abstrata e inconclusiva. A “teoria terraplanista”, bem como o movimento anticiência, representa um padrão paranoico, fundado em ideias persecutórias, no intuito de colocar em dúvida o conhecimento científico obtido ao longo do tempo, aderindo a uma espécie de niilismo.
Em meio à pandemia do coronavírus, quando a ciência deveria receber a devida preponderância e respeito, o que se viu, principalmente no Brasil e em outros países com governos populistas ou autocráticos, foi um movimento totalmente contrário. Antes de 2019, ninguém perguntava qual era o fabricante do imunizante antes de se vacinar.
Na anticiência, a ideologia se sobrepõe às evidências e comprovações científicas, prevalecendo crenças político-ideológicas e dogmas religiosos. Enquanto o saber científico, em regra, pode ser testado ou revisado, o posicionamento anticientífico é hermeticamente fechado e insuscetível de questionamentos por parte de seus seguidores.
No afã de dissuadir quanto à sua plausibilidade, a anticiência recorre a negativas puras e simples, oculta fatos e evidências encontrados, veicula um discurso sensacionalista e agressivo. Nesta semana, recebi um vídeo com tom alarmante em que uma senhora diz que, após ter sido imunizada contra o coronavírus, seu corpo teria se tornado uma espécie de ímã e que se colocasse uma moeda no local da vacinação, essa moeda não cairia.
Os mais desavisados podem até acreditar que a vacina contém um componente misterioso, mas, na verdade, o fenômeno da moeda no braço pode ser explicado pelo efeito de adesão, propiciado por forças intermoleculares.
A questão torna-se mais preocupante porque o governo federal tem utilizado o movimento anticientífico para blindar seus interesses políticos. As lideranças do Estado brasileiro dão um exemplo negativo à população e estimulam o descrédito na ciência e a alienação em prol de um fanatismo político.
A princípio, a anticiência pode parecer pequena, dada sua insubsistência. Todavia, é perigosa e deletéria. Basta lembrar que o avanço do movimento antivacina contribui para o reaparecimento de doenças consideradas, até então, erradicadas, como o sarampo, a difteria e a poliomielite. Talvez a falta de procura pela vacina contra a gripe seja mais uma decorrência da escalada terraplanista.
A Terra não é plana e as vacinas não transformam ninguém em jacaré ou num ímã humano. As fake news e o movimento anticientífico, no entanto, alienam as pessoas, turvam a tomada de decisões e podem até conduzir a resultados mais desastrosos.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Família morta acidente BR101 Jaguaré Norte ES
Preso motorista que causou acidente e morte de família na BR 101 Norte
Inteligência artificial
A nova experiência de consumo mediada por IA: como se destacar?
Acidente envolve carro, moto e van na BR 101 em Linhares
A tragédia da BR 101 é a mesma de ruas e avenidas do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados