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Aglomerações

Não é o momento de Copa América ou de manifestações

De nada adianta criticar o desrespeito contumaz de bolsonaristas às medidas de combate à transmissão do coronavírus e, na semana seguinte, promover aglomerações ainda maiores

Públicado em 

04 jun 2021 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

Manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro na Av. Paulista (SP), em 29 de maio
Manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro na Av. Paulista (SP), em 29 de maio Crédito: Allan White/ Fotos Públicas
Não é o momento de manifestações nas ruas, assim como também não é o momento adequado para o Brasil sediar a Copa América. Não seria nem preciso lembrar que estamos, há mais de um ano, em meio a maior pandemia do século. Mas parece que, cada vez mais, a sociedade brasileira está se comportando como se a vida houvesse voltado ao normal, a despeito do número de mortes diárias pelo coronavírus perdurar em torno dos 2 mil, com tendências de alta.
Prova cabal dessa constatação de que um número cada vez maior de brasileiros abandonou as medidas de prevenção ao coronavírus talvez seja o fato de o uso de máscaras de proteção facial ter caído em desuso, sobretudo em vias públicas. Também é estarrecedora a naturalidade com que as pessoas têm se aglomerado em mesas de bares ou em outros espaços para socializar, supostamente, “seguindo todos os protocolos” – uma versão moderna da expressão “para inglês ver” (demagogia que não se reflete na prática).
Evidente que estamos todos cansados de viver no contexto pandêmico, porém, isso não justifica abandonar as medidas comprovadamente eficazes contra a Covid-19: uso correto de máscaras de proteção facial, reforçar os cuidados com higienização das mãos, etiqueta respiratória, não participar de aglomerações, buscar o isolamento social e vacina para todos.
Outrossim parece ser claro que nenhum governante gosta de fechar as atividades comerciais. As restrições ocorrem, sobremaneira, para salvar vidas! É papel do Estado mas, também, é uma responsabilidade social e individual de cada cidadão. O comércio fecha quando a Covid avança.
Nesta semana, após Colômbia e Argentina se recusarem a sediar a Copa América 2021, o governo brasileiro aceitou ser o anfitrião do evento esportivo. Enquanto ofertas de vacinas foram preteridas pelo governo brasileiro, chamou atenção o tempo recorde com que o governo deliberou por receber o evento futebolístico.
Parece que Bolsonaro esqueceu as críticas que tanto fez ao PT por ter trazido a Copa e as Olimpíadas para o Brasil. Obviamente, este não é o momento de um campeonato dessas dimensões no Brasil, epicentro do coronavírus no Ocidente. Pandemia não se resolve com Copa América, resolve-se com vacinas!
As críticas à transferência da Copa América para o Brasil são legítimas e válidas, mormente em face ao recrudescimento da pandemia no país e levando em conta o ritmo tímido da imunização em massa. Todavia, quem critica precisa ser coerente.
No último sábado, opositores ao governo Bolsonaro foram às ruas em diversas cidades do Brasil. Muito embora sejam factíveis os motivos do protesto, por mais nobres que sejam tais razões, não é o momento de promover aglomerações. É bem verdade que a imensa maioria dos manifestantes usava máscaras, no entanto, a eficácia das máscaras de proteção facial cai consideravelmente quando há aglomerações, como, de fato, pôde ser constatado por fotografias.
Inclusive, parece ser mais difícil evitar a contaminação pelo coronavírus em grandes protestos de rua com aglomeração em diversas cidades que num evento fechado como a Copa América. Sem embargo das críticas, a Copa América no Brasil terá restrições como o limite de 65 integrantes por delegação, a ausência de público nos estádios, e a obrigatoriedade de todos os jogadores terem sido vacinados.
É preciso sim criticar os aspectos que entendemos estarem equivocados, sobretudo no âmbito da política (que interfere do preço do feijão à falta de oxigênio nos hospitais), entretanto, reitero: quem critica precisa ser coerente, sob risco de ter sua credibilidade abalada ou de ser equiparado aos criticados. De nada adianta criticar o desrespeito contumaz de bolsonaristas às medidas de combate à transmissão do coronavírus e, na semana seguinte, promover aglomerações ainda maiores.
Preferências político-ideológicas não podem se sobrepor às medidas de proteção da vida. É preciso uma terceira via: a da ciência e da coerência.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaço.

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