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Pacto de vivência

Precisamos falar sobre coisas como sororidade

O exercício da sororidade abre um espaço de busca e esperança rumo ao fim de desigualdades e opressões e alimenta o sonho de um tempo em que humanas e humanos alcancem um potencial de dignidade e respeito em sua frágil existência

Públicado em 

01 set 2020 às 05:00
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Sororidade: pacto e união entre mulheres pelo fim das diferenças
Sororidade: pacto e união entre mulheres pelo fim das diferenças Crédito: Pixabay
A ideia de que as mulheres vivem em competição umas com as outras vem de longe. Já nos tempos da Grécia antiga, as deusas eram umas tontas envolvidas em fofocas, mesquinharias, concursos de beleza e disputa pelos favores de Apolo, o Senhor da Razão. E as mulheres, tidas como seres inferiores, se sentiam na obrigação de agradar os maridos, pais, irmãos, tios, primos, sei lá quais outros familiares.
Dizer que uma mulher sempre vê outra mulher como uma ameaça tem a ver com a cultura secular e patriarcal do machismo. E não venham dizer que o machismo não mais existe. Ele sempre existiu. Ganhou reforço no mundo de hoje em que a hegemonia masculina vacila diante da evolução social, política e profissional das mulheres.
O machismo está por aí. Às claras, na brutalidade dos feminicídios, ou dissimulado, quando se faz presente em cada gesto de autoridade, em cada risinho debochado, em cada tratamento pseudo-cordial que deixa escapar uma condescendência suspeita para com algum feito digno de admiração, alguma vantagem física ou intelectual feminina. Sem falar na violência cotidiana, que se transformou em uma praga durante a pandemia.
Não dá para pensar que dentro de casa a vida é mais segura. Pelo contrário. O confinamento aumentou o número de agressões, espancamentos e mortes. Triste é quando mulheres entram no esquema e jogam esse jogo também. Por essa e outras, precisamos falar sobre coisas como sororidade.
Sororidade vem do latim “soror” (irmã), contrapondo-se a fraternidade, de “frater” (irmão). É uma palavra estranha que traz uma proposta: lutar pela união das mulheres sem que haja diferença de classes, religiões ou etnias. É um pacto de vivências comuns e da consciência de gênero. Não significa excluir ou lutar contra os homens. Isso seria inviável e simplório. A ideia é que todas as mulheres do mundo são irmãs, porque compartilham preconceitos, sofrimentos e cobranças.
Mas sororidade não é apenas sinônimo irmandade entre as mulheres. Para ser uma ação válida, é preciso levar em conta as diferenças, as circunstâncias e as experiências individuais que cada mulher vive em razão da raça, da orientação sexual, da classe social, de algum tipo de deficiência, da religião, do tempo, do lugar onde habita.
Não é tarefa fácil. Porém nunca é tarde para tentar mudar a sociedade. O exercício da sororidade abre um espaço de busca e esperança rumo ao fim de desigualdades e opressões e alimenta o sonho de um tempo em que humanas e humanos alcancem um potencial de dignidade e respeito em sua frágil existência sobre este planeta.

Bernadette Lyra

É escritora de ficção e professora de cinema. Escreve às terças-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporâneos

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