Já contei que, no primeiro mês de pandemia e distanciamento social, coloquei em prática um projeto. Não quero glamourizar a pandemia, dizendo que é o momento ideal para tirar das ideias vários projetos desejados, para criar e ser um sucesso. Especialmente para nós, mulheres, colocar essa obrigação de ser superprodutiva é um ato quase desumano, já que, segundo pesquisa da Gênero e Número, em parceria com a SOF (Sempreviva Organização Feminista), metade das mulheres passou a cuidar de alguém na pandemia e isso jamais pode ser ignorado.
Esse projeto é o coletivo Juntas e Seguras, criado por mulheres com o objetivo de passar informações importante para outras mulheres durante o período do isolamento social. Essas informações são para que saibam quando estão sofrendo violência doméstica e familiar e para que saibam quais os canais que podem buscar ajuda, seja psicossocial ou jurídica. Desde abril, estamos divulgando essas informações por meio de uma cartilha virtual, mas na semana que passou as cartilhas foram impressas porque fomos convidadas para participar de um lindo projeto chamado Conectando Mulheres.
Continuamos sabendo da importância do distanciamento social, mas não foi possível recusar esse convite para irmos presencialmente ao Conexão Perifa, no Território do Bem. Mais do que um convite, foi um chamado para fazermos essa troca de experiências. É dever do Juntas e Seguras levar informação de qualidade a quem mais precisa, dando o suporte possível para que as meninas e mulheres possam se sentir efetivamente seguras diante de uma rede de apoio que incentivamos ser cada vez maior.
A experiência vivida – embora já estivesse em nossas leituras, pesquisas e outras vivências – nos mostrou que esses espaços de escuta, de troca de dores e angústias, de apoio são necessários. Não apenas neste momento de pandemia e maiores dificuldades financeiras, psicológicas, mas para além. É importante que nossa rede de apoio fique cada vez mais forte, cada vez maior. É importante que as conexões ocorram nos mais variados espaços porque assim será possível construir um presente e um futuro menos violentos e mais dignos.
Por isso, agradeço, em meu nome, de Ananda, de Karla, minhas companheiras de Juntas e Seguras, ao convite feito pela Cris e pela oportunidade. Agradeço às quase 50 mulheres que nos ouviram, conversaram com a gente, se emocionaram e nos emocionaram. E, como disse a Cris ao apresentar o projeto Conectando Mulheres, o objetivo é que as informações cheguem nas comunidades. E esse é um dos principais objetivos pelos quais o Juntas e Seguras foi feito: entregar informações para que todas possamos viver vidas livres de violências.