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Ofensas

Mulheres na política são alvo e escudo para a histeria dos homens

Nos EUA, deputada democrata  Alexandria Ocasio-Cortez recebeu xingamentos do também deputado, porém republicano, Ted Yoho

Publicado em 29 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 jul 2020 às 05:00
Renata Bravo

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Renata Bravo

Deputada democrata norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez
Deputada democrata norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez Crédito: Alex Brandon/AP
“Maluca”, “vadia”. Esses foram alguns xingamentos que a deputada democrata norte-americana Alexandria Ocasio-Cortez recebeu do também deputado, porém republicano, Ted Yoho, na última semana. Ao ser contestado sobre essa atitude, Yoho subiu à tribuna e, lendo uma justificativa, negou ter dito tais palavras nas escadarias do Congresso norte-americano. Além disso, disse que não poderia pedir desculpas pela sua paixão e, ainda, justificou que era casado e tinha duas filhas. Um clássico!
AOC, como Alexandria Ocasio-Cortez é conhecida, é uma das mulheres mais importantes da política norte-americana atualmente. Ela é jovem, inteligente, bem-articulada, com ideias progressistas. Ao estar na política institucional, ela está em um espaço historicamente masculino e isso tem mexido com as estruturas da política, da sociedade.
Como eu tratei no meu primeiro artigo neste espaço, quando as mulheres rompem o silenciamento imposto às suas vozes públicas, recebem rótulos da loucura, histeria, bruxaria, destempero, infantilização. Assim como AOC sofreu na última semana nos Estados Unidos, aqui no Brasil o cenário não é nada diferente, tendo em vista o que passam as mulheres que ocupam, ocuparam ou tentaram ocupar cargos eletivos, a exemplo de Manuela D’Ávila, Dilma Rousseff, Samia Bonfim e Joice Hasselmann.
Nós mulheres, então, somos alvos da histeria dos homens ao verem representantes de mais da metade da população brasileira ocupando o espaço institucional.
E também somos escudos desses mesmos homens que se valem da absurda “desculpa” de que são pais e maridos para se absterem de críticas de suas atitudes machistas, patriarcais e misóginas. É como se ser casado com uma mulher e ter uma filha fosse uma licença pra ser misógino e atacar outras mulheres. Isso acontece não só na política, mas também em violências sexuais e feminicídios praticados por homens.
Em resposta à desculpa esfarrapada de Yoho, AOC disse “eu também sou filha de alguém”. Sempre seremos filhas de alguém. O que queremos, na verdade, é deixamos de ser, quando convém aos homens, alvos e escudos para suas atitudes machistas e violentas. Queremos que assumam suas responsabilidades, como homens que pregam ser.

Renata Bravo

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