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Crônica

Sobre perder o fio da própria história e depois encontrá-lo

Você já teve a sensação de que soltou o fio da própria história? Falo de ter se afastado dos amigos e não saber como voltar, de ter esquecido do que te faz rir, de ter falhado com quem não merecia, de ter deixado escapar o que realmente importa

Publicado em 16 de Novembro de 2025 às 04:00

Públicado em 

16 nov 2025 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Você já teve a impressão de que perdeu a mão em algum momento da vida?
Falo de uma época de excessos ou sumiços, de falta de filtro ou ausência de inspiração, de pavio curto ou completa indiferença.
Falo de uma tarde de frases que você preferia não ter dito ou de um ano inteiro de textos dignos de deixar pra lá. Um mês de metas não alcançadas, um semestre que virou dívida, uma temporada sem intervalos tomada de arrependimentos.
Você já teve a sensação de que soltou o fio da própria história? Falo de ter se afastado dos amigos e não saber como voltar, de ter esquecido do que te faz rir, de ter falhado com quem não merecia, de ter deixado escapar o que realmente importa.
Falo de ter se tornado desinteressado e desinteressante, de ter ido a lugares em que não era bem-vindo, de ter insistido em ficar quando o melhor mesmo era partir. Um atalho que tornou a estrada mais longa, uma barra forçada, uma teimosia irracional.
Você já se perguntou por que deixou o barco correr por mares tão pouco gentis? Falo de aceitar coisas inaceitáveis, de permanecer por mais tempo do que a razão recomenda, de voltar quando a decência, a prudência e a jurisprudência mandariam seguir para o lado contrário.
Falo das vezes em que você desistiu quando devia insistir - ou o oposto.
[Até que ponto é preciso ir para se convencer de que já deu, o caldo entornou, a paciência acabou, a fonte secou, o tempo esgotou? Como, ao contrário, acreditar que ainda compensa, dançar ainda apesar dos tropeços, gostar ainda apesar das faltas, perdoar ainda apesar das descrenças?]
Tem vezes que a vida se reveza entre o desalinho e o caos, e não é fácil recuperar o prumo diante da mão perdida, dos atalhos longos, de teimosia irracional, das frases que você preferia não ter dito. Não é fácil recuperar o prumo diante dos textos dignos de deixar pra lá, de dívidas, arrependimentos e insistências que deviam ser desistências, de mares pouco gentis.
Solidão
Você já se perguntou por que deixou o barco correr por mares tão pouco gentis? Crédito: Shutterstock
A boa notícia é que o calendário e a canção sabem das coisas. Nada como um tempo após um contratempo, nada como um dia após o outro dia. Perder a mão, soltar o fio, deixar o barco correr por mares pouco gentis, afinal, também faz parte.
Felizmente, quando a gente menos espera, num dia como hoje ou no próximo feriado, depois de uma noite de sono ou no meio da volta pra casa, mão, fio, barco e interesse se reconstituem ou se reformam.
Quando a gente menos espera, num domingo de sol ou no comecinho da próxima estação, a gente reencontra o rumo da prosa e quem sabe o otimismo que ficou pelo caminho.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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