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Crônica

Roçando mato: uma coreografia com movimentos sincronizados

Aqueles homens, coloridos e animados, bem que poderiam formar um bloco de carnaval com seus componentes cantando marchinhas conhecidas, levantando suas roçadeiras para saudar o público

Publicado em 08 de Julho de 2022 às 02:00

Públicado em 

08 jul 2022 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

A Praia da Esquerda estava deserta e a maré baixa garantia areia dura, boa para caminhar. Do alto de um pequeno mirante, guarda-vidas observavam o mar liso daquela manhã plácida, certos de que o dia passaria sem qualquer ocorrência que demandasse pronta intervenção.
Na calçada, vi chegar um grupo de uns 15 homens. Todos falantes e paramentados: macacão cor-de-abóbora, avental de plástico preto, capacete na cabeça, botas, luvas de couro, óculos de segurança no nariz e protetor de ouvido pendurado no pescoço.
Trouxeram umas dez roçadeiras daquelas dotadas de um guidom para movê-las com facilidade, de um lado para outro, quando penduradas no ombro. Nelas, um motorzinho a gasolina faz girar, na outra extremidade de uma haste comprida, um carretel contendo nylon bem grosso. Em alta velocidade, o pedaço de nylon se transforma numa poderosa ferramenta de cisalhamento, capaz de decepar até galho taludo. Uma geringonça de grande utilidade, pois roçar mato com foice é tarefa cansativa e de baixíssimo rendimento.
Desci para andar na areia e, ao chegar pela segunda vez no final da praia, parei para acompanhar aqueles homens que vinham trabalhar no serviço de poda do capim colonião que cresce ali desde sempre.
Dava gosto de ver aquela espécie de espetáculo. Parecia uma coreografia, com movimentos certeiros e sincronizados. Na linha de frente, empunhando roçadeira mais potente, um deles atacava o mato com muita disposição, abrindo uma passagem central para os dois colegas que vinham atrás, cada qual cortando as moitas num dos lados.
Em pouquíssimos minutos, o matagal existente naquele patamar criado por um muro de arrimo foi inteiramente abatido, e os três partiram para acabar com o que tinha brotado nas fendas das lajes de pedra escura que existem ali.
Em complemento, outros dois homens desbastavam, no mesmo ritmo e igual sucesso, as capoeiras que existiam no pé do muro e, em seguida, aparavam a grama que cresce na areia da praia, propiciando ao lugar um aspecto simpático e amistoso.
Aquelas cenas me fizeram lembrar de Sorriso, o varredor de rua que fez sucesso no carnaval do Rio, sambando com uma vassoura na Sapucaí. Pois aqueles homens, coloridos e animados, bem que poderiam formar um bloco de carnaval com seus componentes cantando marchinhas conhecidas, levantando suas roçadeiras para saudar o público.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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