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Crônica

Santa Teresa é uma festa!

Por todo lado, durante o festival de música, gente animada abraçando quem não via desde antes da pandemia. Uma festa aberta e tranquila, com muita gente usando roupa quentinha que comprou pra viajar para longe

Públicado em 

10 jun 2022 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Show de Toni Garrido no Santa Jazz 2022
Show de Toni Garrido no Santa Jazz 2022, em Santa Teresa Crédito: Mônica Zorzanelli
Foi muito bom rever Santa Teresa e constatar que está a cada ano mais movimentada, bem tratada e com comércio pujante e jeitão de polo turístico. Por todo lado se avistam prédios em construção, casas enormes no alto dos morros e lojas e pousadas às margens da estrada.
Fui com amigos para mais um festival de música, festa aberta e tranquila, com muita gente usando roupa quentinha que comprou pra viajar para longe. Desta vez, vi muitas pessoas com uma taça entre os dedos e uma garrafa de vinho na outra mão. Algumas fazendo estilo, "se achando", como se dizia.
Assisti a dois shows impactantes: um grupo paulista fazendo base para Taryn Szpilman, cantora afinadíssima e performática que, ao descer do palco para circular na plateia, gostou do meu chapéu e acabou ganhando um beijo na mão.
Emocionante ver Jimmy Burs, músico americano de quase 80 anos, tocando blues melodiosos com poucas notas e regendo, com olhares, uma banda de Belo Horizonte, cujo baterista, dono de uma pegada muito forte, é dos melhores que já vi.
Por todo lado, gente animada abraçando quem não via desde antes da pandemia. Pois foi muito bom ser reconhecido por dois homens sorridentes, já quase sessentões, dizendo que foram meus alunos no começo dos anos 90, do século passado. O mais falante, de nome inesquecível, tratou de me incluir num grupo de engenheiros no WhatsApp que haviam criado, mas devo ter dado endereço errado.
Guardo ótimas lembranças de professores que tive, sobretudo dos que me ensinaram a gostar de engenharia de produção e, sem se darem conta, me ajudaram a ser o que sou.
Santa Teresa está limpa, colorida e animada. Muitas das casas nas ruas principais estão ocupadas por lojas, cafés e restaurantes. O que escolhemos estava lotado de turistas barulhentos, mas a nossa reserva de mesa funcionou. Não comi massas italianas feitas à mão, mas enfrentei um joelho de porco alemão muito bem acompanhado.
Entre uma garfada e outra, notei a naturalidade com que moças e rapazes atendiam os fregueses e, também, iam tomando providências para manter o lugar arrumado. Tudo feito com movimentos rápidos e precisos, como que sincronizados.
Curioso, quis conhecer o responsável por orientar cada uma daquelas pessoas em busca de harmonia e alto rendimento. Fui informado que a gerente era a moça bonita e simpática que nos recebeu e que foi embora logo depois.
Sem precisar de ordens ou orientações, aquela equipe parecia funcionar no automático, movida a satisfação pessoal, algo que só acontece em empresas muito especiais. Para mim, era mais uma clara demonstração da evolução que acontece naquela cidade do interior.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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