Neste Dia da Advocacia, minha homenagem é dirigida a cada advogado e advogada capixaba que, mesmo diante de tantas adversidades, continua defendendo direitos, enfrentando injustiças e fazendo da profissão um verdadeiro instrumento de transformação social. É essa advocacia que sustenta diariamente o direito de defesa, o acesso à Justiça e a esperança daqueles que precisam ser ouvidos.
Exercer a advocacia nunca foi tarefa simples. Nos últimos tempos, porém, os desafios parecem ter se multiplicado: sob o argumento da modernização, comarcas do interior vêm sendo fechadas ou esvaziadas, afastando a Justiça justamente de quem mais precisa dela; o acesso aos magistrados tornou-se cada vez mais difícil; e o Balcão Virtual, criado para aproximar, nem sempre cumpre essa finalidade na prática. Aquilo que deveria representar diálogo e cooperação muitas vezes se transforma em espera, silêncio ou portas fechadas.
A advocacia capixaba também tem sentido falta de uma representatividade institucional firme, presente e verdadeiramente comprometida com a defesa intransigente de suas prerrogativas. Em muitos momentos, advogados e advogadas sentem-se órfãos da instituição que deveria representá-los, protegê-los e falar por eles com independência, firmeza e coragem.
Respeito institucional, contudo, não se conquista com fotografias publicadas nas redes sociais, nem se mede por curtidas, alcance ou uma busca de validação social. Uma instituição pode ocupar diariamente as redes e, ainda assim, estar ausente da vida real.
Enquanto se investe na construção de uma imagem de protagonismo, a advocacia enfrenta, no cotidiano, as verdadeiras dificuldades da profissão: comarcas esvaziadas, balcão virtual que não atende o seu propósito, obstáculos ao acesso aos magistrados e prerrogativas que precisam ser defendidas com firmeza. Representatividade não é parecer presente; é estar presente quando a advocacia realmente precisa.
Um episódio recente simboliza essa inversão. Após o incêndio que atingiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, a OAB-ES divulgou que havia requerido sua participação no comitê criado para acompanhar as consequências do ocorrido. Até o fechamento deste texto, não havia notícia pública de que esse pedido tivesse sido acolhido.
Em outros tempos, pela força de sua representatividade, a Ordem seria naturalmente convidada a participar de um momento tão crítico para a Justiça e para a sociedade capixaba. Hoje, celebra não a sua presença efetiva, mas o simples fato de ter pedido para estar presente.
Essa mensagem diz muito sobre a perda de espaço institucional. Antes protagonista, respeitada e chamada a contribuir, a OAB hoje precisa pedir espaço para não ser reduzida ao papel de figurante. As coisas se inverteram: onde antes havia reconhecimento espontâneo de sua relevância, agora existe uma disputa por migalhas de participação. Não basta divulgar que se requereu um lugar à mesa; é preciso recuperar a força institucional necessária para que a advocacia jamais possa ser ignorada.
Ainda assim, a advocacia capixaba não deixa a peteca cair. Ela enfrenta as dificuldades, sacode a poeira e dá a volta por cima; reinventa-se, estuda, trabalha, acolhe o cliente, luta pelo jurisdicionado e não se curva diante dos obstáculos.
Quando uma porta se fecha, procura outra passagem; quando sua voz é ignorada, fala mais alto; e, quando tentam diminuir sua importância, responde com competência, independência e coragem.
Essa é a braveza da advocacia capixaba: uma advocacia que não abandona a luta, mesmo quando se sente desamparada. Uma advocacia presente nos grandes escritórios e nas pequenas salas do interior, nos tribunais e nas audiências, no atendimento daquele que perdeu quase tudo e na defesa das empresas que geram empregos e desenvolvimento.
É a brava advocacia capixaba que dá voz a quem não tem voz e fala por quem, tantas vezes, não consegue ser ouvido. É ela que transforma a angústia do cidadão em argumento, a injustiça em resistência e a violação de um direito em luta por reparação. Sem a advocacia, muitas dores permaneceriam escondidas, muitos abusos não seriam denunciados e inúmeras pessoas nem sequer teriam condições de alcançar a Justiça.
Advogados e advogadas não podem ser tratados como inconvenientes, porque o acesso ao magistrado não é favor e o respeito às prerrogativas não é concessão. A presença da advocacia não atrasa a Justiça; ao contrário, é indispensável para que exista uma Justiça verdadeiramente democrática, acessível e comprometida com os direitos de todos.
Neste dia, mais do que comemorar, é preciso reconhecer quem sustenta diariamente a dignidade da profissão. A advocacia capixaba permanece firme porque sua força não depende apenas das instituições, mas nasce da coragem de cada advogado e advogada que se levanta disposto a lutar pelo direito do outro, mesmo quando precisa, simultaneamente, lutar pelo próprio direito de advogar.
Que nunca nos faltem coragem para enfrentar, independência para discordar, firmeza para defender nossas prerrogativas e união para exigir respeito. Feliz Dia da Advocacia a todos os advogados e advogadas capixabas que, mesmo diante das adversidades, continuam sendo a voz dos que precisam ser ouvidos e a verdadeira força desta profissão.