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Terceira idade

Saúde do idoso: como é envelhecer no Brasil

Apesar de o envelhecimento ser um processo natural, não é sinônimo de falências e incapacidades quando acontece com saúde e qualidade de vida

Publicado em 16 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

16 jan 2021 às 02:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Idosos estão no grupo de risco para o contágio da Covid-19
A prática de cuidados às pessoas idosas não começa no acesso ao sistema de saúde, mas sim na atenção e medidas coletivas e individuais Crédito: Pixabay
Ser idoso no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), significa ter mais de 60 anos. Em países desenvolvidos considera-se a idade de 65 anos e isso denota o modo único e singular do processo do envelhecimento enquanto fenômeno biológico. Enquanto fenômeno epidemiológico, percebemos as mudanças ao longo do tempo dos perfis etários, hoje uma pessoa com 60 anos é bem diferente de nossos avós quando completaram esta idade. Apesar de o envelhecimento ser um processo natural, não é sinônimo de falências e incapacidades quando acontece com saúde e qualidade de vida.
De acordo com dados do IBGE, em 2019 o número de idosos no país correspondia a 16,2% da população e em pelo menos 34,5% dos lares havia pelo menos uma pessoa acima de 60 anos, ou seja, mais de um terço dos domicílios têm idosos. Soma-se a isso o fato de que 83,2% dos idosos não moram sozinhos. Um dado importante sobre a saúde do idoso que não podemos ignorar é que três em cada quatro mortos por Covid-19 no Rio de Janeiro estão nessa faixa etária, segundo a Fiocruz. No Espirito Santo idosos tem 11,6 mais risco de evoluir a óbito.
Todos estes números mostram que, apesar de representarem menos de 17% da população, são a parcela que mais morre de Covid-19 e que podem estar entrando em contato com o vírus através dos familiares. A prática de cuidados às pessoas idosas não começa no acesso ao sistema de saúde, mas na atenção e medidas coletivas e individuais para promover ou recuperar a autonomia e independência. Esta atenção começa em casa, passa pela assistência em saúde, permeia políticas públicas e conflui para uma morte digna após uma vida digna.
Devemos considerar as diferenças nas trajetórias do envelhecimento e os distintos aspectos de vulnerabilidade e fragilidade que ocorrem quando há presença de doenças crônicas associadas e respeitar sempre o estado funcional do idoso, sua expectativa de vida e a convergência dos pensamentos e ações entre este e seu responsável, quando houver.
Em termos de saúde e longevidade, devemos nos preocupar mais em nos desenvolver do que simplesmente envelhecer. Qualquer ser vivo é capaz de envelhecer, fazê-lo com qualidade é o desafio e o objetivo, o caminho é o destino.

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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