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Saúde

Onde há movimento não existe dor

Estando em movimento nos adaptamos e nos reequilibramos, a vida não é linear e a capacidade de adaptação impacta diretamente na longevidade e na qualidade de vida

Publicado em 30 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

30 nov 2020 às 05:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Mulher correndo
É preciso estar em movimento para não perder o equilíbrio. Onde há equilíbrio não há espaço para dor Crédito: shutterstock
“Onde há movimento, não há dor; onde há dor, há falta de movimento”, Huang Di Nei Jing. 
Huang Di, conhecido como o imperador amarelo, reinou na China de 2697 a.C. a 2597 a.C. Ele ficou conhecido pelo seu interesse pela saúde e pela condição humana, criando a medicina tradicional chinesa, amplamente aplicada ainda hoje. Por esta citação do imperador amarelo em seu tratado de medicina interna, percebemos o quanto seus conhecimentos se mantêm atuais.
Quando ele fala sobre os movimentos, percebemos algumas concepções cíclicas, como o ciclo vital, os sazonais, os circadianos e suas relações com a saúde. Apesar de muito mais antiga, há semelhanças da medicina chinesa com a medicina hipocrática, que veio entre 460 e 379 a.C., quando se fala em equilíbrio (eucrasia), doença e dor (discrasia).
É através da observação da natureza, analisando a prevalência das doenças em fases da vida, percebendo sintomas que pioram em algum horário do dia, queixas que surgem em determinados meses do ano, que percebemos que há alguma dissonância nos nossos ciclos. É preciso estar em movimento para não perder o equilíbrio. Onde há equilíbrio não há espaço para dor.

EQUILÍBRIO

“A vida é como andar de bicicleta. Para se equilibrar é preciso estar em movimento”, Albert Einstein. 
Para estar em movimento é necessária a fluidez. O gesto é leve, o ritmo é regular e suave. O corpo que flui não se desgasta, pois se deforma diante das tensões. Estando em movimento nos adaptamos e nos reequilibramos, a vida não é linear e a capacidade de adaptação impacta diretamente na longevidade e na qualidade de vida.
Se um joelho dói em um jovem e a dor é acompanhada de rigidez matinal e piora quando faz frio, percebemos uma coleção de indicativos de que este corpo não obedece ao movimento dos ciclos. Se uma mulher sofre de cólicas menstruais com coágulos e se irrita na TPM, vemos mais um exemplo de estagnação. O movimento cura a queixa no joelho do jovem e na nossa medicina ocidental recomendamos exercícios. O movimento interno aquece a mulher em seu ciclo menstrual deixando seu sangramento fluido e seu pensamento flexível e na medicina tradicional chinesa recomendamos compressas mornas.
“A nossa natureza consiste em movimento; o repouso completo é a morte", Blaise Pascal
O estado pleno de saúde envolve equilíbrio e isso envolve um processo de mudança das relações internas e externas do sistema corporal e suas interações com o ambiente e as tarefas. Somos cíclicos e dançar no ritmo é viver em paz apesar do caos, é estar íntegro apesar de ser líquido, e sem dor apesar de despendido.

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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