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É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

A pandemia e a produtividade das cientistas mulheres

De acordo com uma pesquisa realizada entre maio e abril de 2020, apenas 8% das mulheres acadêmicas conseguiram trabalhar de forma remota.  Dos quase 15 mil cientistas que responderam ao questionário, apenas 3,4% das mulheres negras com filhos conseguiram manter-se trabalhando remotamente

Publicado em 09/11/2020 às 05h03
Cientista, coronavírus, vacina, covid-19
Mulheres são maioria no meio acadêmico e de pesquisa. Por que são menos convidadas para palestrar em congressos apesar de terem expertise?. Crédito: Pixabay

Em 2020 vivemos muitas mudanças de rotina devido à pandemia da Covid19. E nos adaptamos. Buscamos estratégias para o trabalho, tentamos manter a produtividade, nos organizamos da melhor forma para seguir o planejado. Isso aconteceu em todas as áreas, com todos os sexos, em todas as idades. Hoje devemos enaltecer as cientistas pela brava resistência.

De acordo com uma pesquisa realizada entre maio e abril de 2020, apenas 8% das mulheres acadêmicas conseguiram trabalhar de forma remota. Quando se fala em parentalidade e raça, os números caem. Dos quase 15 mil cientistas que responderam ao questionário, apenas 3,4% das mulheres negras com filhos conseguiram manter-se trabalhando remotamente.

Pensando em produtividade, os professores brancos, do sexo masculino e sem filhos, que conseguiram submeter artigos científicos, conforme planejado, chegou a 77,3%, em detrimento das professoras negras com filhos, que representam apenas 46,5% das submissões.

Esses números surpreendem quando pensamos que as mulheres pesquisadoras correspondem a mais da metade das participantes deste questionário e que mais de 70% das que participaram tinham filhos. Menos de 20% dos professores pesquisadores que participaram se referem com negros.

Torna-se curioso como o grupo mais representativo também foi o mais afetado pela pandemia. Estes números trazem a tona algo que fere a ciência: a sub-representatividade feminina, materna e negra no espaço acadêmico.

Mulheres são maioria no meio acadêmico e de pesquisa. Por que são menos convidadas para palestrar em congressos apesar de terem expertise? Por que as reuniões de grupos de pesquisa ocorrem em horários que ignoram as necessidades de mães com seus filhos? Por que não há ambientes para apoio destas mães, como “espaço kids” nos seminários, congressos e encontros científicos? Por que as pessoas negras não estão chegando no ambiente acadêmico de mestrado e doutoramento? Por que o fomento para incentivo não contempla estas pessoas?

Os questionamentos fazem parte do universo de um cientista. Questionar o porquê de esses grupos não estarem em salas de aula produzindo é relevante, é necessário, é vital. Mais importante ainda é trazer à tona possibilidades de solução, como incentivo à pesquisa, estrutura, suporte e horários alternativos para os eventos, além de flexibilidade nos prazos dos programas e editais específicos para os grupos mais afetados. A ciência se faz melhor com mulheres, mães e negras.

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