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Processo

O movimento muda quando a dor nas costas muda?

Houve uma infrequência nos estudos com relação aos achados e isso demonstra que não é possível relacionar ou atribuir a dor aos padrões de movimento

Publicado em 16 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 nov 2020 às 05:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Dor nas costas
Há frequentemente comprometimento multidimensional em pacientes com lombalgia e as dimensões contemplam problemas biológicos, psicológicos e sociais Crédito: Yeko Photo Studio/ Frepik
Podemos descrever a lombalgia como uma das questões de saúde pública mais discutidas em todo o mundo, sendo a condição de saúde não fatal mais onerosa, uma das mais prevalentes e de grande impacto na população.
Aproximadamente 90% dos casos de dor na região lombar são consideradas inespecíficas, o que quer dizer que nenhuma causa anatomopatológica (lesão física) pode ser determinada ou atribuída de fato à queixa. Há frequentemente comprometimento multidimensional em pacientes com lombalgia e as dimensões contemplam problemas biológicos, psicológicos e sociais.
Apesar de reconhecermos que necessariamente não haverá lesão tecidual no local, frequentemente atribuímos as dores à forma como as pessoas se movimentam e as intervenções para melhorar envolvem mudanças nessas maneiras de se movimentar. Muitas vezes observamos padrões de aumento na atividade muscular do tronco, movimentos mais lentos e com menos amplitude e mais rigidez em quadros de dor lombar inespecífica, mas isto não significa que essas mudanças ocorram por problemas estruturais.

ESTUDOS

O questionamento acerca disso levanta a seguinte pergunta: Será que mudando a forma de movimentar, a dor também mudará? Já que as pesquisas não apoiam a crença nessa relação, temos uma pergunta relevante. Foi assim que um grupo fez uma revisão sistemática analisando 27 estudos envolvendo 2739 participantes, a fim de entender a relação de mudança de movimento e mudança na dor.
Apesar da qualidade dos estudos analisados não ser muito boa, foram encontrados em 22% uma relação entre mudança de movimento e mudança na dor. E em 100% dos casos houve melhora da dor associada a melhora da amplitude de movimento, da flexão de tronco e da velocidade do movimento.
Houve uma infrequência nos estudos com relação aos achados e isso demonstra que não é possível relacionar ou atribuir a dor aos padrões de movimento. Em pesquisas anteriores, melhorias nos fatores psicológicos (como sofrimento, catastrofização da dor ou evitação e medo) foram mais fortemente relacionadas à melhora da dor ou limitação de atividade do que movimento em si.
É importante reforçar que existem experiências positivas e uma redução da sensação de ameaça após a segmentação e a conclusão segura dos movimentos percebidos como perigosos ou prejudiciais à melhora da dor e limitação da atividade, independentemente do movimento realmente ter mudado. Portanto, alguns efeitos terapêuticos observados com intervenções direcionadas ao movimento gradual podem não ser relacionados à mudança nesse movimento, mas simplesmente às mudanças na ameaça percebida nesse movimento.
Com isso, devemos considerar que não somente os padrões de movimento conseguem mudar a dor, mas a percepção e segurança no movimento também terão muita importância, mantendo o olhar multidimensional e biopsicossocial inerente a qualquer ser humano que experimentar dor.

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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