Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Pandemia

É possível ter saúde vivendo um momento tão desafiador?

Quando há saúde mental, costuma-se ter coerência, aumentando a compreensão, autogestão e o significado de uma situação difícil, como a que estamos passando em tempos de pandemia

Publicado em 19 de Abril de 2021 às 06:00

Públicado em 

19 abr 2021 às 06:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe Adrieli Borsoe
Pessoa usando máscara
O aumento da prevalência de doenças crônicas e o estado pandêmico ao qual estamos inseridos permite o levantamento de questões sobre esta definição Crédito: Shutterstock
A Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1946, definiu a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. Nesta data, além de admitir que saúde e doença não são antagônicos, a instituição abrangeu as esferas biopsicossociais que envolvem os aspectos de saúde. Foram pontos muito positivos. Entretanto, com o envelhecimento da população, o aumento da prevalência de doenças crônicas e o estado pandêmico ao qual estamos inseridos permite o levantamento de questões sobre esta definição.
Após 75 anos desta definição da OMS, será que é coerente admitir que só há saúde se o bem-estar for um estado “completo”? A persistência enfática na plenitude da saúde tende a medicalizar uma população inteira, fazendo com que se submetam a intervenções caras – para o bolso e para a vida - e arriscadas. Muitas pessoas se veem dependentes de exames e medicamentos numa busca/fuga sem fim.
Em 75 anos, a natureza das doenças também mudou. Os desfechos de mortalidade mudaram, o acesso ao saneamento, os aspectos alimentares, a relação trabalho-lazer. Pessoas com doenças crônicas vivem cada vez mais e estas, que não se encontram em estado completo de bem-estar, podem ter saúde? Quando as declara como doentes permanentemente, essa definição minimiza o papel da capacidade do ser humano de lidar de forma autônoma com as constantes mudanças físicas, emocionais e sociais dos desafios da vida e ter bem-estar com uma doença crônica ou deficiência.
Uma pessoa que se confronta com um estresse, se for saudável, é capaz de ter uma resposta protetora, para reduzir os danos ao organismo e restaurar o equilíbrio, de forma adaptada. Se esta estratégia fisiológica de enfrentamento não for bem-sucedida, o dano permanece e se perpetua, o que pode finalmente resultar em doença. As doenças físicas começam assim.
Quando há saúde mental, costuma-se ter coerência, aumentando a compreensão, autogestão e o significado de uma situação difícil, como a que estamos passando em tempos de pandemia. Uma capacidade de adaptação e de gerenciar a si mesmo muitas vezes melhora o bem-estar (que não precisa ser completo) e pode resultar em uma boa interação entre mente e corpo. É possível encontrar-se em estado de adoecimento físico e ainda ter senso de coerência?
Num contexto de bem-estar social, as dimensões são infinitas e a participação inclui relações de trabalho, religião, lazer, voluntariado e até mesmo grupos e associações de uma doença específica. O paradoxo da deficiência por alguma doença vem da percepção de melhora da qualidade de vida quando a pessoa desenvolve habilidades sociais apesar da sua limitação e com isso é capaz de sentir bem-estar. O estado não é completo, mas é possível perceber saúde em cada interação social, ainda que adaptada.
Entender a saúde como a capacidade de adaptação e autogestão em face dos desafios sociais, físicos e emocionais parece mais coerente que a visão do bem-estar completo e ajuda a colocar como protagonista a pessoa. A pessoa que busca o equilíbrio apesar de viver com uma doença crônica, de vivenciar o envelhecimento, apesar de sentir os efeitos de uma pandemia.
É possível manter um nível de socialização ainda que com isolamento físico, ter boas escolhas alimentares, praticar alguma atividade física, conectar-se com a espiritualidade, cuidar e vigiar os pensamentos, praticar caridade, perdão e desapego em situações difíceis. É possível ver saúde na doença, ter saúde com doença, sem a necessidade que a morte os separe.

Adrieli Borsoe

Adrieli Borsoe Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

PRF faz escolta de carga superdimensionada na manhã desta terça
Roda gigante? PRF faz escolta de peça superdimensionada na BR 101
Imagem de destaque
Por que eleição de Pernambuco virou 'guerra digital' – e o que isso tem a ver com 'virada' da governadora
Sérgio Meneguelli andando de skate
Meneguelli luta contra nova queda e põe tudo nas mãos de Renzo: “Não vai ter traição”

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados