Quem esteve em Vitória, nos últimos dias, foi a economista Zeina Latif, da Gibraltar Consulting. A convite da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), ela trouxe dados sobre a economia capixaba que merecem a atenção de todos (ainda mais em ano eleitoral...). Na comparação 2015 x 2025, a produção industrial capixaba encolheu 31%. Ou seja, uma década depois, estamos bem menores.
A maior pancada veio justamente em cima da locomotiva, a indústria extrativa, leia-se petróleo, gás e minério de ferro: encolhimento de 61,3%. Temos aqui uma espécie de tempestade perfeita. Queda na produção da Samarco (que chegou a ficar parada entre 2015 e 2020), causada pelo rompimento das barragens de Mariana, em Minas Gerais (o retorno ao 100% só se dará em 2028). Encolhimento das operações da Vale, em Tubarão, como consequência do rompimento de outra barragem mineira, em Brumadinho, em 2019. Nos dois casos há indicativos de recuperação. No caso do petróleo, tudo leva a crer que já iniciamos um pouso. A atividade exploratória vem baixa desde meados da década passada e, sem novas fronteiras, o impacto na produção já chegou. Muito embora tenha havido um crescimento nos últimos dois anos, a tendência é de voltar a cair já a partir de 2028.
A coisa fica mais preocupante quando é constatado que o encolhimento é de amplo espectro: metalurgia (-2,2%), transformação (-6,4%), celulose e papel (-12,6%) e minerais não metálicos (-30,4%). A indústria de alimentos, com uma expansão de 26,4%, está entre as poucas que cresceu, nos últimos dez anos, no Espírito Santo.
"Há questões específicas do Espírito Santo, mas, no geral, a indústria brasileira, que também não vem bem, sofre com as taxas de juros insistentemente altas no Brasil. Por isso, insisto no fato de que o governo precisa enfrentar com seriedade a questão fiscal. Precisamos de mais previsibilidade e de atrair investimentos. Nossa taxa de investimentos é baixa, assim como a nossa produtividade. Isso tudo atrapalha a economia, atrapalha, claro, a indústria".
Há alguma sinalização positiva no horizonte? Na avaliação de Zeina, sim. A reforma tributária e o acordo Mercosul x União Europeia, por exemplo, devem ajudar. "A reforma pode não ter sido a ideal, mas acaba com a cumulatividade, o que é ótimo para a indústria, incentiva o investimento e deve reduzir o contencioso tributário. O acordo com a Europa amplia nosso mercado e facilita a importação de equipamentos e novas tecnologias".
E com relação ao Espírito Santo? "Vejo vantagens interessantes para o Espírito Santo. O Estado tem uma educação básica melhor que a média do país, é hora de olhar para a formação técnica e de engenheiros. A vantagem geográfica também é importante. A integração logística e atrair indústrias para as proximidades dos portos é uma alternativa. Por fim, é importante trabalhar na verticalização das cadeias de commodities já instaladas e olhar para oportunidades em minerais críticos e terras raras", finalizou uma das mais relevantes economistas do país.
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