A construção de um emissário submarino voltou a aparecer como solução para os graves problemas de esgotamento sanitário da Serra. O governador Ricardo Ferraço tocou no tema durante a cerimônia em que foi dada a ordem de serviço para a duplicação da Estação de Tratamento de Esgoto de Manguinhos, que é a maior da Serra. "Estamos fazendo aqui um anúncio que destrava a situação atual do município, que tem uma fila de empreendimentos imobiliários com dificuldade para obter viabilidade, mas para suportar o crescimento da Serra vamos precisar fazer mais investimentos. Precisamos debater uma solução definitiva, isso passa por evoluirmos com discussão sobre a construção de um emissário submarino", disse tomando todos os cuidados, afinal, ele sabe que, muito embora tecnicamente seja viável, o assunto é bem espinhoso.
"O emissário é uma solução para vários lugares do Brasil, caso do Rio de Janeiro, em Ipanema, e em vários lugares do mundo, como na Europa. Estamos dispostos a evoluir em um debate técnico e democrático. Não se trata de uma imposição, caso surja algo tecnicamente melhor no meio do caminho, nas audiências públicas, vamos estudar e, se for o caso, implantar. O que queremos é resolver a questão", assinalou Ferraço.
O emissário submarino é um é um sistema de recolhimento e lançamento de esgoto doméstico no mar. Antes de ser jogado na imensidão do oceano, há um pré-tratamento. Nos últimos metros do sistema ficam os furos por onde o esgoto é lançado numa espécie de pluma. O emissário de Ipanema, construído nos anos 70, termina a 4 quilômetros da costa e lança 6 mil litros de esgoto por segundo. Só para efeito de comparação, a Estação de Tratamento de Manguinhos, quando duplicada, terá capacidade para 200 litros por segundo. É o emissário de Ipanema que garante a balneabilidade das praias da Zona Sul do Rio de Janeiro, as mais famosas do Brasil. Uma série de regras regulam o funcionamento deste tipo de estrutura no Brasil.
Neste momento, antes da fase das audiências públicas, Cesan e Aegea, empresa que toca a Parceria Público-Privada que coordena o saneamento da Serra, discutem um aditivo de contrato para incluir o emissário nos investimentos a serem feitos. O investimento fica na casa dos R$ 380 milhões, ficaria em Jacaraípe, e o objetivo é seguir o padrão aceito na União Europeia.
Os estudos iniciais apontam para a construção da seguinte estrutura: implantação de quatro sistemas de tratamento com lançamento do efluente no mar por meio de um emissário submarino com capacidade para 1.198 litros por segundo. O Sistema Jacaraípe será responsável por 76% de todo o esgoto gerado, considerando um horizonte de atendimento até 2050. Em razão da elevada vazão, será necessário direcionar o efluente tratado por aproximadamente 3.500 metros mar adentro. A estrutura ficará a uma profundidade de 40 metros.
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