A primeira etapa das obras de melhoria operacional da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Manguinhos será entregue nesta quarta-feira (27). No mesmo dia, o governador Ricardo Ferraço vai dar a ordem de serviço para a segunda etapa das intervenções, que irá ampliar a capacidade de tratamento da estação dos atuais 110 litros por segundo para 220 litros por segundo. Tudo dando certo, a nova estrutura começa a rodar ainda em 2027. Trata-se de um alívio para o mercado imobiliário da Serra, que, ao lado de Vila Velha e Vitória, é líder no Espírito Santo e vinha reclamando, há tempos, de estar com sérias dificuldades na obtenção de viabilidade em projetos no município. Tudo por falta de lugar para lançar o esgoto dos novos empreendimentos.
A ETE de Manguinhos é estratégica por ser a maior da cidade e por atender os bairros de maior dinamismo imobiliário da Serra. O problema do saneamento básico serrano está longe de ser solucionado, mas as melhorias e a ampliação de Manguinhos darão o espaço necessário para que as incorporadoras voltem a lançar os seus empreendimentos na cidade. A solenidade se dará pouco mais de 40 dias depois de empresários da construção civil, o presidente da Findes, Paulo Baraona, e o prefeito da Serra, Weverson Meireles, irem até o gabinete do governador Ricardo Ferraço, no Palácio Anchieta, para relatarem a situação.
O Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) do Espírito Santo reclamam, há meses, que vários empreendimentos prontos para serem lançados têm dificuldades para conseguirem o licenciamento na Serra (que só é dado com a liberação por parte da empresa de saneamento) e financiamento. Quando sai a viabilidade do saneamento, Cesan e Aegea dizem que, se os investimentos deles não forem entregues até determinada data, o empreendedor terá de fazer uma estação própria para o tratamento de esgoto. O investimento é alto e o risco também, por isso, os bancos não topam.
"Sem dúvida é uma boa notícia, afinal, estávamos aguardando um sinal positivo há muito tempo. Agora, vamos monitorar as obras de duplicação da ETE, que são as mais importantes. Sem ter para onde destinar o esgoto dos novos empreendimentos, teremos problemas. A previsão de entrega é de menos de dois anos, o suficiente para que novos projetos sejam liberados, mas o problema é maior, mais investimentos precisam ser feitos olhando para o médio e longo prazos. Além disso, seguimos defendendo a adoção de estruturas provisórias para dar conta do volume de esgoto gerado por uma cidade do tamanho e com o dinamismo da Serra", assinalou um importante dirigente da construção civil capixaba.
A concessionária Ambiental Serra toma conta do saneamento da Serra desde 2015, quando foi formada a parceria público-privada (PPP) por Aegea e Cesan.
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