Representantes da indústria da construção civil estiveram, nesta quinta-feira (16), no gabinete do governador Ricardo Ferraço, no Palácio Anchieta, para uma reunião sobre a crise do saneamento vivida na cidade. O prefeito da Serra, Weverson Meireles, e o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Paulo Baraona, participaram do encontro. Não havia nenhum representante da Ambiental Serra no encontro. A concessionária toma conta do saneamento da Serra desde 2015, quando foi formada a parceria público-privada (PPP) por Aegea e Cesan.
Ferraço ouviu dos empresários que 20 empreendimentos estão na fila da viabilidade de saneamento da Serra. Segundo eles, o atual sistema não comporta mais a entrada de esgoto e que investimentos, observando a situação emergencial e o longo prazo, precisam sair do papel o quanto antes. "Hoje, só são liberadas as chamadas licenças condicionadas, que estão condicionadas a investimentos futuros em saneamento para dar conta da nova demanda. Mas e se não sai? Temos graves problemas com a prefeitura e também com os bancos que nos financiam, afinal, caso os investimentos não saiam, os impactos financeiros são grandes. Precisamos focar na viabilidade definitiva", explicou uma importante liderança do mercado imobiliário capixaba.
Os empresários sugeriram a contratação de estações de tratamento de esgoto provisórias para dar conta dos problemas emergenciais. Sobre o longo prazo, pediram para que os investimentos saiam do papel no tempo certo.
Na conversa de mais de uma hora, o governador ouviu os relatos com atenção. Ao final, prometeu que irá atuar e que o foco, no primeiro momento, será na solução da trava que já tem como consequência a fila de 20 empreendimentos. Importante lembrar que a Serra é a maior cidade do Estado, com o maior parque industrial e lidera o mercado imobiliário capixaba ao lado de Vila Velha e Vitória.
Em entrevista para a coluna, em novembro do ano passado, Claudio Denicoli, secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano da Serra, descreveu o cenário. "O nosso sistema de saneamento entrou em colapso. Diante do que temos de estrutura de tratamento, hoje, não há mais viabilidade para novos empreendimentos residenciais, por exemplo. A Serra tem rede coletora para 94% de seus usuários, mas não consegue fazer o tratamento. O emissário submarino surgiu como possibilidade porque as lagoas e rios da Serra não têm mais condições nem de receberem os efluentes já tratados. Também estão no limite, afinal, são décadas de problema. Não tem nem mais onde jogar, mesmo tratado. Em vinte anos, a Serra perdeu 2 milhões de metros quadrados de lâmina d'água de suas lagoas. É tanta matéria orgânica vinda do esgoto que a vegetação tomou conta".