A curva de crescimento da produção de petróleo no Espírito Santo é curta: vai só até 2027. Por características próprias da indústria, nem é incomum que sejam mesmo curtas
(a do Brasil, por exemplo, começa a cair no início da próxima década), o maior problema capixaba, na verdade, é outro. É a falta de perspectivas de novos campos produtores entrarem em atividade para suprirem a decadência natural dos antigos. O Espírito Santo está pendurado na maravilha produtiva que é o campo de Jubarte, no Parque das Baleias, em operação desde o começo dos anos 2000, e, por ora, não há nada que possa alterar este cenário.
Lançado nesta terça-feira (14), o Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural do Espírito Santo, feito pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo, revela o cenário futuro com incômoda eloquência. Em 2025, a produção média diária de petróleo no Estado ficou em 192,9 mil barris. Em 2027, a expectativa é bater em 248,4 mil barris/dia e, a partir de 2028, a tendência já é de encolhimento. Quase 70% (68,7%) dos campos capixabas em produção são classificados como maduros: em estágio avançado do ciclo produtivo e com declínio natural das curvas de produção.
A situação mais preocupante está na fase anterior, na exploração. Em 2025, foram perfurados 14 poços no Estado, 51,7% abaixo do registrado em 2024, isso em um cenário em que o padrão de exploração já vem bem abaixo do que era feito até meados da década passada. Não houve nenhuma notificação de descoberta de hidrocarbonetos. Na visão dos técnicos da Findes, "caso o quadro persista, o movimento poderá sinalizar um ciclo menor de dinamismo exploratório nos próximos anos, com predominância de investimentos voltados à sustentação da produção já estabelecida". A desaceleração nas atividades exploratórias de petróleo e gás natural impacta a recomposição das reservas do Estado. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, elas fecharam 2024 em 1,2 bilhão de barris, 1,8% a menos que no ano anterior.
Importante sempre lembrarmos que a indústria do petróleo responde por algo perto de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial capixaba e gera enorme renda para Estado e municípios via impostos, royalties e participações especiais. Portanto, um pouso suave é para lá de recomendado.