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Entrevista

Papo de Valor #19: uma nova indústria pede passagem no Espírito Santo

O descomissionamento é o encerramento de uma operação. Em princípio, pode parecer algo pouco interessante, mas, na realidade, tem um negócio gigantesco passando por aqui

Públicado em 

06 abr 2026 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

O descomissionamento é o encerramento de uma operação. Em princípio, pode parecer algo pouco interessante, mas, na realidade, tem um negócio gigantesco passando por aqui. Só a Petrobras reservou, em seu plano de negócios 2026-2030, US$ 9,7 bilhões (mais de R$ 50 bilhões) para a desmobilização de navios e plataformas de petróleo e gás que serão retirados da operação. Até 2035, serão mais de 60 embarcações apenas da Petrobras. Os números revelam a ordem de grandeza de um negócio praticamente inexistente no Brasil e que é dominado por europeus, asiáticos e norte-americanos.
Como podemos entrar nisso? O Espírito Santo está bem posicionado? As respostas a estas e outras questões estão no Papo de Valor #19. O videocast da coluna convidou o presidente da Federação das Indústria do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, e o professor Newton Narciso Pereira, criador do Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis da Universidade Federal Fluminense. Pós-doutor em Engenharia Naval e Oceânica, ele é especialista no tema e está auxiliando a Findes no desenvolvimento da área aqui no Estado.
"Não se desmonta um navio gigantesco de qualquer forma. Isso exige muita tecnologia, engenharia e qualificação de mão de obra. É uma enorme indústria, bastante pujante na Europa, Estados Unidos e alguns países da Ásia. Temos tudo para trazer ela aqui para o Espírito Santo e, assim, ampliar a nossa cadeia produtiva. Cerca de 95% do material que está em uma plataforma pode ser reaproveitado. É um negócio interessantíssimo", explicou Baraona.
Na visão do professor Newton Pereira, o Espírito Santo tem todas as condições para puxar a formação dessa nova indústria no Brasil. "É um Estado que tem uma costa grande, com boas condições para encostar navios, tem áreas importantes de desenvolvimento portuário, investidores dos mais variados setores interessados no negócio e está de frente para o pré-sal, vetor importante para a indústria do descomissionamento no Brasil".
Abdo Filho (direita), professor Newton Narciso Pereira (paletó escuro) e Paulo Baraona na gravação do Papo de Valor
Abdo Filho (direita), professor Newton Narciso Pereira (paletó escuro) e Paulo Baraona na gravação do Papo de Valor Crédito: Farley Sil

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiário de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi repórter da CBN Vitória e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Política, Economia e Brasil & Mundo, já no processo de integração de todas as redações da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Produção e, em 2019, Editor-executivo.

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