O descomissionamento é o encerramento de uma operação.
Em princípio, pode parecer algo pouco interessante, mas, na realidade, tem um negócio gigantesco passando por aqui. Só a Petrobras reservou, em seu plano de negócios 2026-2030, US$ 9,7 bilhões (mais de R$ 50 bilhões) para a desmobilização de navios e plataformas de petróleo e gás que serão retirados da operação. Até 2035, serão mais de 60 embarcações apenas da Petrobras. Os números revelam a ordem de grandeza de um negócio praticamente inexistente no Brasil e que é dominado por europeus, asiáticos e norte-americanos.
Como podemos entrar nisso? O Espírito Santo está bem posicionado? As respostas a estas e outras questões estão no Papo de Valor #19. O videocast da coluna convidou o presidente da Federação das Indústria do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, e o professor Newton Narciso Pereira, criador do Centro de Estudos para Sistemas Sustentáveis da Universidade Federal Fluminense. Pós-doutor em Engenharia Naval e Oceânica, ele é especialista no tema e está auxiliando a Findes no desenvolvimento da área aqui no Estado.
"Não se desmonta um navio gigantesco de qualquer forma. Isso exige muita tecnologia, engenharia e qualificação de mão de obra. É uma enorme indústria, bastante pujante na Europa, Estados Unidos e alguns países da Ásia. Temos tudo para trazer ela aqui para o Espírito Santo e, assim, ampliar a nossa cadeia produtiva. Cerca de 95% do material que está em uma plataforma pode ser reaproveitado. É um negócio interessantíssimo", explicou Baraona.
Na visão do professor Newton Pereira, o Espírito Santo tem todas as condições para puxar a formação dessa nova indústria no Brasil. "É um Estado que tem uma costa grande, com boas condições para encostar navios, tem áreas importantes de desenvolvimento portuário, investidores dos mais variados setores interessados no negócio e está de frente para o pré-sal, vetor importante para a indústria do descomissionamento no Brasil".