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Coluna Abdo Filho

Dívida bilionária coloca pressão na Kora Saúde, dona do Hospital Meridional

Com juros em 14,75% ao ano, a situação é tida como insustentável nos termos atuais, por isso, os executivos da empresa tentam a redução dos juros e o alongamento dos prazos

Públicado em 

03 abr 2026 às 10:02
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

Hospital Meridional
Entrada do Hospital Meridional da Praia da Costa, em Vila Velha Crédito: Ricardo Medeiros
A Kora Saúde, dona da rede Meridional, a maior rede hospitalar do Espírito Santo, está fortemente pressionada por uma dívida de R$ 2,2 bilhões. Com juros em 14,75% ao ano, a situação é tida como insustentável nos termos atuais, por isso, os executivos da empresa tentam uma redução dos juros e um alongamento dos prazos de pagamento junto aos credores. A Kora é controlada pelo gigantesco fundo de private equity norte-americano H.I.G. Capital. Muito embora tenha sócios poderosos e uma margem ebitda de 21%, das melhores do país para o negócio, a situação é para lá de complicada.
No último dia 27 de março, a assembleia de debenturistas (os credores da Kora), aprovou a prorrogação, por 30 dias corridos, do pagamento programado para 30 de março. As parcelas de abril e maio foram mantidas. É o chamado stand still, acordo para adiar cobranças visando garantir o pagamento como um todo. Na visão da agência de risco Moody's, trata-se de um reestruturação financeira feita em situação de muita dificuldade (distressed exchange), visando evitar algo pior, como um default. Em princípio, o objetivo era prorrogar por 90 dias o pagamento aos credores.
O débito de R$ 2,2 bi representa 90% da dívida total da Kora. Uma das possibilidades é de que os donos das debêntures recebam ações da companhia como pagamento (ou pelo menos parte dele) e virem sócios da empresa. No dia 13 de março, a Moody's já havia rebaixado a nota da Kora e, ainda assim, mantido a perspectiva como negativa. Nesta quinta-feira, o jornal O Globo publicou a informação de que a Kora já estava preparando uma recuperação extrajudicial. A coluna apurou que ainda não existe essa preparação e que as negociações, fora de uma extrajudicial, estão caminhando. É tudo muito difícil, o cenário não é bom, mas estão caminhando. No entanto, uma recuperação extrajudicial pode entrar em cena caso a primeira opção não dê certo. "São desdobramentos para os próximos 30 ou 60 dias, por enquanto não está na mesa. Vamos ver como a coisa vai caminhar com os debenturistas", disse uma fonte que acompanha de perto o processo. A venda de ativos também é uma alternativa, com o mercado de saúde em crise, a porta fica mais estreita.
A recuperação extrajudicial permite a renegociação das dívidas diretamente com os credores, sem a necessidade de intermediação de um juiz. De acordo com advogados, é uma alternativa mais rápida, sigilosa e menos burocrática. Empresas grandes como a GPA, dona do Pão de Açúcar, e Raízen, também em crise de dívida, adotaram o modelo.
A rede Meridional foi fundada em 2001, a partir do hospital de Cariacica. Em 2018, foi comprada pelo H.I.G. e, na sequência, o conglomerado, com atividades em outros estados (são 17 unidades e mais de 2 mil leitos), passou a se chamar Kora Saúde, que tem sede em Vitória. O H.I.G. tem cerca de 80% das ações. O faturamento, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, ficou em R$ 2,3 bilhões.

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiário de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi repórter da CBN Vitória e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Política, Economia e Brasil & Mundo, já no processo de integração de todas as redações da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Produção e, em 2019, Editor-executivo.

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