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Governo federal aumenta imposto sobre aço importado e pode destravar investimento bilionário no ES

Siderurgia brasileira enfrenta, há alguns anos, uma onda de importação de aço. Na visão deles a concorrência é predatória e iniviabiliza novos investimentos

Vitória
Publicado em 29/01/2026 às 18h40
Placas de aço da ArcelorMittal em Tubarão
Placas de aço da ArcelorMittal, em Tubarão. Crédito: Divulgação/ArcelorMittal

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aprovou, nesta quarta-feira (28), aumentos de tarifa em cima produtos importados de aço. Assunto que interessa muito à indústria do Espírito Santo. Uma delas é a aplicação de direito antidumping definitivo, de cinco anos, em cima de aços pré-pintados vindos de China e Índia. Os valores das novas tarifas não foram divulgados. O comitê ainda aprovou a elevação tarifária, por doze meses, para mais nove tipos de aço. As taxas de importação desses produtos passaram de 10,8% e 12,6% para 25%.

O impacto não é tão grande, pega cerca de 10% do aço importado, mas, na visão do mercado, mostra que o governo federal entendeu o problema e abriu a portas para a aplicação de outras medidas restritivas nos próximos meses.

A indústria siderúrgica brasileira argumenta que, nos últimos anos, o mercado nacional (em linha com o que está havendo no resto do mundo) está sendo inundado por produtos a preços muito abaixo dos praticados pelo mercado, complicando a situação do parque fabril já instalado e desestimulando novos investimentos. O Espírito Santo, que abriga a maior planta siderúrgica do Brasil, a ArcelorMittal Tubarão, é um grande interessado no tema.

Há exatamente um ano, a ArcelorMittal anunciou a pretensão de fazer um investimento de R$ 3,8 bilhões, em Tubarão, na construção de Laminador de Tiras Frio e em uma linha de galvanizados. Em princípio, o martelo sobre a expansão seria batido até o final de 2025, só que as condições de mercado, destacadamente o derrame de importados, não permitiu. O anúncio de novas barreiras comerciais (expediente que vem sendo usado em outros países, caso da Europa) melhora o ambiente.

Pelas contas do Instituto Aço Brasil, o volume de laminados de aço que entra no país, atualmente, é 168% superior à média das importações entre 2000 e 2019, de 2,2 milhões de toneladas. Esse crescimento levou a penetração de importados para 21%, ante o patamar histórico de 9,7%. 

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