A Private Construtora, empresa do Espírito Santo especializada em obras industriais, galpões logísticos e projetos de óleo e gás, está enfrentando uma grave crise financeira. Atendendo a um pedido da companhia, o juiz da Vara de Recuperação Judicial e Falência, de Vitória, Marcos Pereira Sanches, concedeu uma tutela cautelar antecedente, uma espécie de blindagem de patrimônio, para que a Private consiga renegociar um endividamento assumido de R$ 220 milhões. Grande parte disso com Banco Brasil (maior credor), Sicredi, Bradesco e Caixa.
O juiz deu 30 dias para que a construtora defina se vai entrar ou não em uma recuperação judicial. O instrumento jurídico de proteção patrimonial, o mesmo utilizado pela Apex Partners (que acabou pedindo a recuperação judicial), suspende penhoras, rescisões e mantém os serviços essenciais. Enquanto isso, os executivos da empresa negociam com os credores.
"O objetivo é ganharmos um fôlego para negociarmos com os bancos. Não queremos a recuperação judicial", disse Mateus Oliveira, fundador da Private. "A empresa vinha crescendo bem nos últimos anos, mas tivemos a crise da Seacrest (empresa norueguesa de petróleo que comprou ativos da Petrobras no Norte do Estado), que acabou nos dando um prejuízo de R$ 120 milhões, e o fato de o Private Log (no Contorno do Mestre Álvaro, Serra) não ter saído como prevíamos. Colocamos um bom dinheiro no projeto, no terreno e nas licenças, mas a receita não veio. Tínhamos dívida de curto prazo, fomos aos bancos e acabamos sufocados pelos altíssimos juros praticados no Brasil. Agora, vamos negociar um alongamento e melhores condições".
A Private ficou conhecida pelo projeto do Private Log, um complexo logístico que teria mais de 600 mil metros quadrados, mas acabou não saindo do papel. Alegando quebra de contrato, os donos da área de mais de 1 milhão de m² onde o projeto seria erguido romperam o acordo com a construtora no começo de 2026.
Fundada no Estado, a Private tem atuação em mais sete estados (Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão).
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