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Três são indiciados por coação de testemunhas no caso do cão Orelha

Três são indiciados por coação de testemunhas no caso do cão Orelha

Os três indiciados, um advogado e dois empresários, são familiares dos adolescentes suspeitos do ataque a pauladas contra o animal

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 14:03

Cão comunitário Orelha precisou ser eutanasiado após ser espancado em SC
Cão comunitário Orelha precisou ser eutanasiado após ser espancado em SC Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de Santa Catarina informou nesta terça-feira (27) que três homens adultos foram indiciados por coação de testemunha no caso da agressão ao cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Quatro adolescentes são suspeitos do ataque a pauladas contra o animal, que precisou passar por eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Os três indiciados, um advogado e dois empresários, são familiares dos adolescentes. A defesa dos envolvidos não foi localizada pela reportagem.

Orelha tinha aproximadamente 10 anos e era conhecido na comunidade de Praia Brava, área localizada no norte da ilha de Florianópolis que tem alta procura turística e condomínios de alto padrão. Ele foi encontrado ferido por moradores no dia 16 de janeiro e chegou a ser levado para atendimento veterinário por membros da comunidade. Os moradores já realizaram dois protestos pedindo justiça pela morte do animal.

Na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos adolescentes suspeitos. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), afirmou nas redes sociais que a coleta de provas, a oitiva de testemunhas e demais trâmites legais foram realizados "sem atropelos". "Confesso que custei a acreditar, adolescentes jovens de famílias estruturadas agredindo um cão por pura maldade", disse Jorginho. "Não importam quem são nem os sobrenomes que carregam, a lei será cumprida. Infelizmente, ainda muito branda, mas será cumprida."

A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção ao Animal, disse que testemunhas mencionaram que um dos indiciados usava frases de efeito como "você sabe com quem está falando?" e ameaçou destruir um carro. O caso chamou a atenção de celebridades que passaram a compartilhar imagens do caso e cobranças de justiça. A ativista de proteção animal Luisa Mell estava presente na coletiva de imprensa, que ocorreu na sede da Polícia Civil catarinense.

Dois adolescentes viajaram para a Disney

Dois dos adolescentes envolvidos no ataque ao cachorro estão fora do Brasil em uma viagem de formatura para a Disney, que já estava planejada há cerca de um ano. O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, disse que há uma preocupação com a convocação de um protesto no aeroporto de Florianópolis no retorno dos adolescentes. "São 115 jovens que estarão lá, 113 não tem nenhuma relação com o caso. Então nos preocupa muito a situação de que alguém possa ser machucado por conta de uma situação que envolve duas pessoas", disse.

Segundo ele, será montada uma estrutura com apoio da polícia e do aeroporto para receber os jovens com segurança. O delegado disse também que não houve apreensão de passaportes de outros jovens envolvidos no caso que ainda estão no Brasil. Os adolescentes também são suspeitos de tentar afogar no mar outro cachorro , que conseguiu escapar. O animal foi adotado pelo próprio delegado-geral e recebeu o nome Caramelo. Essa tentativa de afogamento não teria ocorrido no mesmo dia do ataque ao cão Orelha.

"Nós temos a imagem deles pegando esse animal do colo e a câmera corta, mas temos depoimentos de testemunhas que afirmam que eles arremessaram esse cão ao mar", disse a delegada Mardjoli.

Polícia investiga outros atos infracionais

A delegada disse que também há uma apuração sobre atos infracionais equivalentes a crimes contra honra praticados pelos adolescentes, como ofensas a seguranças, furtos e depredação de patrimônio. Os casos teriam acontecido ao longo de um período de tempo, e agora a polícia vai apurar a individualização de comportamentos para entender o possível envolvimento de cada jovem.

"São diversos dias, então não necessariamente um adolescente vai ter praticado todos esses atos infracionais que estão sob investigação", disse Mardjoli.

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