Publicado em 9 de fevereiro de 2021 às 21:19
- Atualizado há 5 anos
Na retomada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) do julgamento dos recursos do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) contra as investigações no caso da "rachadinha", o ministro João Otávio de Noronha votou para aceitar parcialmente os argumentos do parlamentar. >
A análise, no entanto, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Felix Fischer, relator do caso, e que já havia apresentado voto contra os pedidos da defesa de Flávio em novembro.>
A previsão é a de que o julgamento seja retomado no próximo dia 23, uma terça-feira. Faltam votar três ministros que também compõem a Quinta Turma do STJ, responsável pelo assunto.>
Em decisões liminares (provisórias) anteriores, Fischer rejeitou os argumentos do filho 01 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o Ministério Público do Rio cometeu irregularidades na condução das apurações. Agora, o STJ analisa os recursos de forma definitiva.>
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Os votos de Fischer e de Noronha, o mesmo que no passado concedeu prisão domiciliar para o ex-assessor parlamentar e PM aposentado Fabrício Queiroz, não foram lidos na sessão da turma nesta terça-feira (9) e, portanto, a argumentação dos dois para embasar suas posições não foi revelada.>
No caso de Noronha, não foi possível saber também em que extensão ele atende aos pedidos da defesa de Flávio.>
Os votos devem se tornar públicos quando o julgamento for retomado.>
Flávio foi denunciado em novembro de 2020 pela Promotoria fluminense sob acusação dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele nega as acusações.>
Os crimes imputados ao senador pelo Ministério Público ocorreram quando ele exercia o mandato de deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).>
Entre os acusados está Queiroz, apontado como operador da rachadinha no gabinete de Flávio. A rachadinha consistia em recolher parte dos salários pagos pela Assembleia aos funcionários.>
O Ministério Público afirma que o dinheiro foi usado pelo senador para gastos pessoais e compra de imóveis. Segundo os investigadores, Flávio usou em seu proveito, entre 2010 e 2014, quase R$ 1 milhão desviado da Alerj.>
A Promotoria apontou que o parlamentar e a esposa não teriam como justificar despesas da família realizadas no período com a renda do casal declarada à Receita.>
Boa parte dos pagamentos, disse ainda o Ministério Público, foi feita em dinheiro vivo ou a partir das contas do casal após serem abastecidas por depósitos em espécie.>
Advogados de Flávio acusaram os investigadores do MP-RJ de cometerem irregularidades em procedimentos adotados no inquérito, incluindo a quebra de sigilo fiscal e bancário e a tramitação de um comunicado feito pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre transações atípicas dos envolvidos.>
Um relatório de inteligência financeira do Coaf de 2018 motivou as investigações. O documento identificou movimentações suspeitas na conta bancária de Queiroz.>
A defesa de Flávio também questionou no STJ a validade de decisões da primeira instância em razão de o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) ter reconhecido, no mês de junho, o foro especial de Flávio. O tribunal confirmou os atos da primeira instância.>
O julgamento no STJ foi iniciado em novembro, com o voto de Fischer, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Noronha.>
Sob a justificativa de que o caso é complexo, Noronha afirmou que precisava de mais tempo para analisá-lo. Devolveu ao colegiado na semana passada.>
Em julho de 2020, no plantão do recesso do Judiciário, Noronha concedeu a prisão domiciliar a Queiroz. O ministro presidia o STJ na ocasião>
Fischer a revogou posteriormente, mas uma liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), manteve o ex-assessor em casa.>
O caso da ''rachadinha" está também sob análise do STF por causa do foro especial concedido a Flávio. O TJ do Rio transferiu a apuração ao Órgão Especial da corte fluminense, tirando a responsabilidade das mãos de um juiz de primeira instância. A Promotoria no Rio contestou o foro especial.>
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